Vítima brasileira de Jeffrey Epstein denuncia ameaças e revela que se protege com armas durante a noite

Jeffrey Epstein, um financista envolvido em um dos escândalos sexuais mais impactantes da história americana, faleceu em 10 de agosto de 2019. No entanto, a sombra de suas ações continua a afetar muitas de suas vítimas, incluindo a brasileira Marina Lacerda.

Marina enfrenta um custo elevado por ter sido uma das mulheres a denunciar Epstein por abuso sexual. Desde que decidiu tornar pública sua experiência traumática, ela tem vivido sob constante temor e se viu obrigada a dormir com uma arma ao seu lado devido a ameaças e perseguições.

“Sinto medo de que alguém entre na minha casa. Estou em estado de paranoia o tempo inteiro”, revelou em entrevista à agência Reuters.

A brasileira, que atualmente reside em um condomínio fechado nos Estados Unidos com sua filha de 12 anos, afirmou que vive em alerta contínuo e teme invasões em sua residência. As ameaças começaram logo após sua participação em uma coletiva de imprensa em setembro de 2025, onde pediu a divulgação de documentos relacionados ao caso Epstein.

Pessoas desconhecidas utilizaram as redes sociais para ameaçar Marina, afirmando que ela deveria ter permanecido em silêncio e que seria assassinada.

O quadro se intensificou meses depois, quando seu nome apareceu repetidamente em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que foram divulgados sem o necessário sigilo.

A presença dela nas redes sociais trouxe novos ataques. Acusada de ser mentirosa e prostituta, sua filha também sofreu consequências na escola, onde colegas chegaram a questionar se era filha de Epstein.

Para evitar que estranhos descobrissem seu endereço, Marina alterou o nome registrado em documentos imobiliários. Apesar dos desafios enfrentados, afirmou não se arrepender da decisão de denunciar o empresário.

Casos Análogos

A situação vivida por Marina não é isolada. A Reuters identificou pelo menos 23 mulheres que relataram terem enfrentado ameaças ou intimidações após denunciarem Epstein ou terem suas identidades reveladas em documentos oficiais.

Dentre elas está Danielle Bensky, hoje com 39 anos, que começou a receber mensagens violentas depois que suas informações pessoais foram publicadas sem proteção nos arquivos do Departamento de Justiça. Um homem chegou a enviar uma mensagem via redes sociais prometendo estuprá-la até a morte, junto com fotos dele segurando um fuzil.

Outra denunciadora, Maria Farmer, precisou mudar-se após seu endereço ser divulgado online por desconhecidos. Ela revelou à agência que chegou a considerar o suicídio devido às constantes ameaças e assédios.

Identificação como “Vítima Menor 1”

Marina Lacerda foi classificada como “Vítima Menor 1” na denúncia federal contra Jeffrey Epstein apresentada em 2019. Ela relatou ter sido abusada por ele aos 14 anos, no ano de 2002.

Muitas mulheres envolvidas neste caso passaram a viver sob vigilância constante: instalaram câmeras de segurança, contrataram serviços de proteção armada ou optaram por portar armas e outros dispositivos defensivos como facas e sprays de pimenta para garantir sua segurança.

Epstein faleceu enquanto aguardava julgamento em uma prisão nova-iorquina onde era acusado de tráfico sexual de menores. Sua morte foi oficialmente considerada um suicídio. Ghislaine Maxwell, ex-companheira do financista, foi condenada em 2021 e atualmente cumpre pena de 20 anos atrás das grades.

By Ribeirão News

Deixe um comentário

Confira!