Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Brasil, expressou sua posição contrária às plataformas de apostas online que têm gerado dívidas entre os brasileiros, afirmando que, se depender de sua vontade, as apostas seriam banidas do país.
As afirmações foram feitas durante uma entrevista concedida a Leandro Demori e Eduardo Moreira, do canal ICL Notícias, na quarta-feira (8), no Palácio do Planalto. Lula destacou que o governo está debatendo intensamente como lidar com os problemas decorrentes das apostas.
“Se as apostas estão provocando os danos que acreditamos, por que não as eliminamos? Ou, ao menos, regulamos para que não haja tantas delas no Brasil? Se é que têm alguma utilidade… Estamos buscando discutir isso. Em um país tão religioso como o nosso… Passei minha vida ouvindo que jogos de azar eram inaceitáveis. Hoje em dia, o cassino está dentro da casa das pessoas, com seus filhos e netos utilizando o celular dos pais para apostar, gastando dinheiro com as apostas”, declarou o presidente.
Logo em seguida, Lula pediu ao cinegrafista que focasse em seu rosto para transmitir uma mensagem clara: se ele tiver poder sobre isso, as apostas serão proibidas no Brasil.
“Estamos levando essa discussão muito a sério. Se depender de mim, encerramos com as apostas. Contudo, isso depende do Congresso Nacional. Estou ciente de que há financiamentos envolvidos; poderia até mencionar nomes, mas não sou juiz nem policial. Todo mundo sabe quem são os deputados e quais partidos estão envolvidos nessa questão. Não podemos continuar permitindo essa cultura de jogatina desenfreada no país. Todos querem ganhar um dinheiro extra. Quando alguém se torna viciado em jogos, é preciso tratar isso como um problema de saúde. Precisamos ter coragem para abordar isso”, enfatizou.
Críticas ao fundo eleitoral
Durante a mesma entrevista, Lula também fez críticas contundentes ao fundo eleitoral e ao fundo partidário, mecanismos que apoiou anteriormente mas que atualmente considera responsáveis pela “promiscuidade” entre partidos e políticos.
“É necessário haver uma discussão política profunda neste país. Os partidos não podem continuar dessa forma. Não faz sentido ter tanto dinheiro disponível através do fundo partidário e do fundo eleitoral. Pessoalmente, acredito que isso contribuiu para a promiscuidade política aqui. Parecia uma boa ideia à época, mas agora vejo diferente. Fui defensor do financiamento público; hoje posso afirmar algo que talvez desagrade alguns em meu partido: considero que esses fundos levaram os partidos à promiscuidade”, refletiu.
Lula argumentou que a grande quantidade de recursos disponíveis aos partidos resultou na falta de renovação no Congresso Nacional, pois candidatos sem recursos financeiros não conseguem se eleger.
“Parece que os presidentes dos partidos se tornaram presidentes de bancos. Eles monitoram quantos deputados têm e quantos candidatos poderão eleger com base na quantidade de dinheiro disponível. Isso dificulta a eleição de novas vozes da sociedade ou de representantes de movimentos sociais. O custo das eleições está exorbitante; em alguns estados, um deputado pode precisar de até 40 milhões de reais para ser eleito. Sem dinheiro é impossível vencer uma eleição. Esse controle financeiro está nas mãos dos líderes partidários e do Congresso Nacional. Além disso, as emendas favorecem essa situação; assim o político acaba se tornando proprietário do mandato. Novas pessoas têm poucas chances de serem eleitas hoje em dia; é muito mais difícil para um ativista social se candidatar a deputado agora”, concluiu o presidente.