A questão de Taiwan se tornou uma das principais preocupações da China na reunião entre o presidente Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ocorrerá em território chinês. Além desse tema, a pauta do encontro abrange as tensões com o Irã, as relações comerciais bilaterais e a competição global por semicondutores, assuntos que estão redefinindo o cenário asiático.
A diplomacia chinesa busca obter de Washington dois compromissos específicos: a interrupção das vendas de armas para Taiwan e uma declaração pública contra a independência de Taipei. A estratégia de Pequim é pressionar diretamente a administração Trump com a esperança de minar o apoio histórico dos EUA à ilha.
Por outro lado, Taiwan adota uma postura oficial de calma controlada. O governo taiwanês afirma que sua relação com os Estados Unidos permanece robusta e que Trump não pretende alterar o status quo em benefício da China, conforme informações coletadas pelo correspondente em Taipei do portal RFI.
Essa narrativa é respaldada por acontecimentos recentes, como as vendas de armamentos americanos a Taipei e os investimentos significativos de empresas taiwanesas na indústria de semicondutores dos EUA. Esses movimentos foram vistos em Taipei como indícios de um envolvimento estratégico por parte de Washington na defesa da ilha frente à crescente pressão chinesa.
Apesar do discurso público otimista, algumas autoridades taiwanesas reconhecem em conversas privadas que existem preocupações reais. Há temores no governo da ilha sobre a possibilidade de que o presidente americano possa fazer concessões em questões delicadas envolvendo Taiwan durante as negociações com Xi Jinping.
Desafios às seis garantias americanas
Caso Trump concorde em discutir com Xi Jinping as vendas de armamentos para Taiwan, isso poderá representar um golpe nas chamadas ‘seis garantias americanas’, um conjunto de promessas estabelecidas em 1982 sob Ronald Reagan. Esse conjunto estabelece, entre outros aspectos, que os Estados Unidos não consultariam Pequim sobre o fornecimento militar à ilha.
A simples inclusão deste assunto na agenda bilateral com a China já significa uma erosão simbólica desse compromisso histórico. Xi Jinping está ciente disso e ajusta sua pressão nesse sentido, tentando deslocar Washington de uma posição que mantém há mais de quarenta anos.
Campanha para isolar Taiwan
Simultaneamente ao encontro programado, Pequim tem intensificado nos últimos meses uma estratégia para isolar Taiwan no cenário internacional. Isso inclui pressões diretas para barrar a visita do presidente taiwanês à Essuatíni e duras críticas ao presidente do Paraguai durante sua chegada a Taipei.
Recentemente, uma cúpula sobre direitos humanos na Zâmbia foi cancelada devido à intervenção da China, que se opôs à participação taiwanesa no evento. Cada um desses episódios é interpretado como parte de uma estratégia coordenada para reduzir gradualmente a presença de Taiwan nos fóruns multilaterais.
O raciocínio geopolítico da China é claro: quanto mais isolada estiver Taiwan diplomaticamente, menor será sua base internacional em um possível cenário de reunificação forçada. Nesse contexto, a cúpula com Trump representa mais um movimento dentro de uma estratégia metódica que combina pressão econômica, militar e simbólica para reposicionar as dinâmicas asiáticas em favor da China.
O encontro ocorre em um momento em que a ordem global está passando por transformações significativas, com a China se firmando como um polo central no mundo multipolar e dialogando em pé de igualdade com Washington sobre os principais conflitos globais. O resultado das discussões entre Xi e Trump deverá definir o tom das relações sino-americanas nos próximos anos.
Leia também: Trump pretende abordar o conflito no Irã durante conversa com Xi Jinping
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