O Japão está se preparando para alocar bilhões de ienes numa iniciativa que visa amenizar a falta crônica de mão de obra, conforme um estudo divulgado pela NHK, uma emissora japonesa.
Com a colaboração de 47 prefeituras, o governo planeja investir aproximadamente 5,5 bilhões de ienes (cerca de R$ 180 milhões) durante o ano fiscal de 2026, com o objetivo de atrair trabalhadores estrangeiros.
O país enfrenta uma significativa redução populacional, com a previsão de uma queda de 898 mil habitantes em 2024, conforme dados do Departamento de Estatística do Japão (Statistics Bureau of Japan). Esta será a 14ª diminuição consecutiva e a mais acentuada em 74 anos. Atualmente, o Japão apresenta uma taxa de natalidade alarmante de apenas 1,3 filho por mulher, uma das mais baixas globalmente.
A população estrangeira também sofreu redução nos últimos dois anos, com cerca de 550 mil indivíduos a menos em 2024.
A quinta maior economia mundial, que foi superada pela Índia em 2025 segundo análises econômicas baseadas em informações do FMI, possui cerca de 123 milhões de habitantes, tornando-se o 11º país mais populoso do mundo. Destes, 29% são idosos acima dos 65 anos.
A consultoria Teikoku Databank aponta que os impactos do envelhecimento já estão se refletindo na economia. No ano fiscal de 2025, pelo menos 441 empresas no Japão declararam falência devido à falta de mão de obra, afetando principalmente pequenos e médios negócios.
No total, as falências corporativas no Japão ultrapassaram a marca de 10 mil em 2025 pela primeira vez em doze anos, chegando a 10.261 empresas. O problema é mais agudo em setores que demandam muita força de trabalho como construção civil, logística, hotelaria e alimentação.
A informação da NHK indica que as prefeituras deverão destinar verbas significativas para tornar suas cidades mais atraentes para os trabalhadores. A capital Tokyo planeja investir cerca de US$ 5 milhões em programas voltados para recrutamento internacional, subsídios para aprendizado da língua japonesa e apoio à moradia.
Diversas regiões também têm anunciado financiamentos para bolsas destinadas a estudantes estrangeiros interessados em residir no Japão por um período prolongado.
No entanto, não são apenas as metrópoles que enfrentam essa crise; as áreas rurais também sofrem com a escassez severa de mão de obra devido à migração dos jovens em busca das oportunidades nas grandes cidades.
Segundo Hajime Inoue, pesquisador do Japan Research Institute, os trabalhadores internacionais tornaram-se essenciais em setores como agricultura, cuidados com idosos e enfermagem, onde a carência já afeta a qualidade dos serviços prestados.
<pNa agricultura, onde a média etária dos trabalhadores rurais é atualmente de 65 anos, o número de funcionários estrangeiros aumentou mais que quatro vezes na última década devido a incentivos locais.
No final de 2025, contavam-se aproximadamente 2,57 milhões de trabalhadores estrangeiros no país — um número recorde e quase três vezes superior ao registrado em 2015.
Todavia, apesar das iniciativas para revitalizar a força laboral local, o tema da imigração ainda é delicado no debate público japonês. A sociedade se mostra reticente quanto à aceitação de imigrantes devido às preocupações relacionadas à identidade cultural e ao impacto nos serviços públicos.