China se prepara para integrar seus sistemas de pagamento ao Pix, avançando na batalha contra o dólar

Enquanto o Pix se torna um ponto de contenda nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, a China tomou uma iniciativa contrária: a UnionPay International, que é uma subsidiária da empresa estatal chinesa de pagamentos, vai realizar a integração de seus aplicativos ao sistema brasileiro. Isso permitirá que turistas oriundos da China realizem pagamentos diretamente em estabelecimentos no Brasil utilizando QR codes, valendo-se de recursos depositados em suas contas na própria China.

Funcionamento do sistema

Informações divulgadas pela mídia chinesa e repercutidas pelo South China Morning Post indicam que o projeto inicial focará nos usuários do aplicativo da UnionPay e de instituições financeiras chinesas que já estão conectadas à plataforma. Assim, um visitante chinês poderá escanear o QR code de um comerciante brasileiro habilitado no Pix e efetuar o pagamento diretamente de sua conta bancária original, sem a necessidade de trocar moeda ou usar cartões internacionais. A expectativa é que, em uma fase posterior, o acesso se expanda para outras carteiras digitais que fazem parte da rede global da UnionPay — empresa que atua no Brasil há mais de 20 anos.

Anos de aproximação

Essa movimentação não é algo recente. Em maio de 2025, os bancos centrais do Brasil e da China firmaram um memorando visando a cooperação em áreas como infraestrutura financeira, moedas locais e sistemas de pagamento. Em junho deste ano, representantes dos dois países voltaram a dialogar sobre maneiras de conectar diretamente seus sistemas. Também nesta segunda-feira (11), foi confirmado pelo Banco Central brasileiro que está em estudo a interligação do Pix com sistemas de pagamento internacionais através de acordos bilaterais ou participação em hubs multilaterais — um passo que se alinha com a iniciativa da China e evidencia o movimento contínuo de internacionalização do Pix, mesmo diante das pressões dos Estados Unidos.

Cenário atual: pressão sobre o Pix

A informação surge em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasília e Washington. Os Estados Unidos incluíram o Pix em uma investigação fundamentada na Seção 301 da legislação comercial americana, argumentando que o sistema brasileiro favoreceria indevidamente a infraestrutura pública em detrimento das operadoras privadas de cartões. Esse argumento resultou na imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros em julho. O governo brasileiro contesta essa interpretação e defende que o Pix representa uma infraestrutura pública para pagamentos, sendo uma referência global em eficiência e inclusão financeira, sem discriminação contra empresas estrangeiras.

Crescimento do turismo chinês impulsiona interesse comercial

A evolução dessa integração também é respaldada por dados concretos: mais de 100 mil turistas chineses visitaram o Brasil em 2025, representando um aumento de 35% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, esse fluxo cresceu mais 30%. Nesse mesmo intervalo, as transações realizadas com cartões UnionPay emitidos na China nos terminais brasileiros aumentaram mais de 30% — um mercado que tende a ser ainda mais simplificado pela conexão direta ao Pix, diminuindo assim a dependência dos tradicionais cartões internacionais durante as viagens.

Desafio à hegemonia

Esse acontecimento ilustra claramente como a pressão comercial dos Estados Unidos sobre o Pix pode estar gerando um efeito contrário ao desejado: ao invés de isolar o sistema brasileiro, essa disputa parece acelerar sua integração com outros parceiros globais, com destaque para a China nesse processo. Para o Brasil, cada nova interconexão internacional do Pix reforça sua posição como uma infraestrutura pública bem-sucedida e passível de exportação — longe da “barreira discriminatória” mencionada pelo USTR — enquanto aprofunda as relações econômicas entre Brasília e Pequim num contexto crescente de tensão com Washington.


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By Ribeirão News

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