Unitree registra explosão de 460% em ações, enquanto robótica humanoide se torna o novo campo de batalha da disputa tecnológica entre EUA e China

A Unitree, uma das líderes no setor de robôs humanoides na China, alcançou um marco impressionante em sua estreia na Bolsa de Valores de Xangai. As ações da empresa dispararam 460% em relação ao preço definido na oferta pública inicial, fechando o primeiro dia de negociação com um valor aproximado de US$ 50 bilhões. Esse desempenho solidifica a posição da companhia como um dos ativos mais emblemáticos na competição tecnológica entre a China e os Estados Unidos.

IPO que superou as expectativas do mercado chinês

Na sua oferta pública inicial, a Unitree arrecadou cerca de US$ 900 milhões ao disponibilizar 10% de seu capital para o mercado, com os papéis sendo lançados a 150,8 iuanes e encerrando o dia cotados a 845 iuanes — tendo atingido até mesmo 1.100 iuanes logo no início do pregão. Essa valorização foi muito superior à média das estreias em bolsa na China em 2026, que foi de 279%. Além disso, esse desempenho se destaca em contraste com a queda de 3% do índice de referência do mercado chinês no mesmo dia, afetado pela desaceleração global no setor tecnológico. O fundador da Unitree, Wang Xingxing, que tem apenas 36 anos, detém cerca de 20% da empresa, o que equivale atualmente a mais de US$ 11 bilhões.

Robôs ágeis e inovadores — mas ainda com vendas limitadas

 

A Unitree se posiciona como concorrente direta da Tesla e da Boston Dynamics, ganhando destaque internacional por seus robôs que dançam, correm e realizam artes marciais. A empresa representa um símbolo do orgulho tecnológico da China e conta com investidores significativos como Tencent e Alibaba. Contudo, apesar do otimismo do mercado, especialistas alertam que muitas das vendas realizadas são pontuais e se concentram principalmente em universidades e centros de pesquisa, sem uma ampla integração no setor industrial ou comercial.

Avanços tecnológicos com raízes nos Estados Unidos

Um aspecto notável sobre os progressos tecnológicos da Unitree é sua origem. Pesquisadores e ex-colaboradores da área defensiva dos EUA revelam que muitos dos mais bem-sucedidos projetos dos “cães-robôs” da empresa derivam de pesquisas financiadas pelo Exército americano. Esses estudos foram disponibilizados publicamente para incentivar inovações científicas e foram aproveitados legítima e eficazmente pela Unitree. Isso ilustra como a China tem avançado em áreas estratégicas utilizando tecnologias abertas originadas nos Estados Unidos — um padrão já observado em outras empresas chinesas atuantes em inteligência artificial.

A resposta do governo dos EUA

A ascensão da Unitree não passou despercebida pelas autoridades americanas. Em julho, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) impediu a importação futura dos modelos de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados fora do país — uma medida que impacta diretamente a empresa sob alegações de segurança nacional. Anteriormente, em junho, o Pentágono incluiu a Unitree em uma lista oficial relacionada à “base industrial de defesa chinesa”, embora isso não configure uma sanção formal; ainda assim, limita o uso futuro de suas tecnologias pelas Forças Armadas dos EUA. Em resposta às preocupações levantadas, a Unitree reafirma que seus produtos têm aplicações exclusivamente civis.

Início promissor para IPOs no setor

A estreia da Unitree pode servir como um termômetro para outras empresas que estão se preparando para abrir capital — incluindo a divisão robótica da Chery Automobile e as empresas Deep Robotics e Leju Robotics na China continental, além da Mech-Mind Robotics, X Square Robot e AgiBot em Hong Kong. Este é um momento propício: os IPOs na China geraram um volume total de US$ 21,3 bilhões neste ano até agora, mais do que o triplo registrado no mesmo período de 2025 e representando o nível mais alto nos últimos três anos.

O fenômeno Unitree exemplifica como Pequim tem transformado as limitações tecnológicas impostas pelos Estados Unidos em oportunidades para investimento interno — uma tendência já observada com empresas como DeepSeek e outras iniciativas chinesas na área de inteligência artificial. Com o governo chinês apostando fortemente na robótica como uma solução estratégica para enfrentar sua crise demográfica atual e o mercado financeiro interno apresentando avaliações que fogem aos modelos tradicionais de precificação, a competição por robôs humanoides promete ser um dos capítulos mais evidentes na rivalidade tecnológica entre as duas maiores economias globais.

 

By Ribeirão News

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