Flávio Bolsonaro (PL) decidiu escolher um homem nordestino para a vice-presidência, mesmo diante das siglas do Centrão, que incluem Progressistas, União, Republicanos e Podemos. A presença de mulheres nesse grupo poderia ajudar a diminuir a diferença de cerca de 20 pontos nas intenções de voto entre ele e Lula no eleitorado feminino, conforme apontam pesquisas recentes. Essa escolha pode também impulsionar por dois meses a narrativa sobre fraudes no INSS, que envolve erroneamente o nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Essa interpretação foi compartilhada rapidamente por aliados próximos ao governo e à campanha de Lula, após a seleção de Alfredo Gaspar (PL-AL) para integrar a chapa “puro-sangue” de Flávio Bolsonaro, segundo apurações realizadas. Um ex-ministro com boa relação com o PT resumiu: “Foi o que restou”. Ele acrescentou: “Ele vai falar da CPMI do INSS o tempo todo”.
A análise é reforçada por um ministro do palácio com ligação direta à campanha, que acredita que Gaspar foi escolhido em função de sua atuação como relator da CPMI do INSS. “O objetivo é apresentar Gaspar como o herói do INSS, alegando que eles foram os responsáveis por descobrir a corrupção”, afirmou um terceiro aliado do presidente.
Polarização
O deputado Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, considera que a decisão de Flávio oferece mais uma chance para expor os esquemas corruptos relacionados às fraudes em empréstimos consignados destinados a aposentados e pensionistas durante o governo Jair Bolsonaro.
Porém, Correia critique a escolha como um “tiro no pé”. Ele argumenta que isso traz à tona os vínculos de Daniel Vorcaro, irmão de Flávio Bolsonaro, com o esquema corrupto. Além disso, menciona a proteção exercida por Gaspar e pelo presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), em relação ao banqueiro Fabiano Zettel e figuras como o pastor André Valadão da Igreja da Lagoinha.
<p“O que eles pretendem é se apresentar como heróis do INSS, mas isso não é verdade. O mais problemático para eles é que quando as irregularidades vieram à tona, eles protegeram Vorcaro e Zettel para impedir que surgissem informações sobre a conexão de Flávio Bolsonaro com todo esse grupo. Acredito que isso será contraproducente para eles; estão tentando ressuscitar uma questão pela qual são diretamente responsáveis”, comentou Correia.
Além de Correia, outros parlamentares como Paulo Pimenta (PT-RS) e Alencar Santana (PT-SP), envolvidos na CPMI do INSS, devem intensificar o debate contra o candidato a vice de Flávio Bolsonaro.
<p“Gaspar foi designado relator para promover uma proteção total em relação às irregularidades cometidas pelo governo Bolsonaro no INSS. Enquanto isso, Lula eliminou os descontos associativos e devolveu recursos aos aposentados. Gaspar deseja negar o passado e tudo o que ocorreu durante aquele governo. Portanto, teremos novamente que esclarecer esses fatos”, finalizou.