Igreja Universal defende Edir Macedo e critica imprensa por “informações falsas e mal-intencionadas

Recentemente, Edir Macedo publicou um vídeo em que utiliza um versículo bíblico sobre “grande ira”, coincidentemente no período em que a Polícia Federal (PF) está conduzindo investigações relacionadas ao Banco Digimais. Em resposta, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) emitiu uma nota, na qual isenta o bispo de qualquer associação com a instituição financeira e critica a imprensa por veicular “notícias falsas, tendenciosas e maldosas”.

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No comunicado, é afirmado que “o Bispo Edir Macedo não faz parte da administração executiva nem está envolvido na gestão operacional, financeira ou contábil do banco”, o que contrasta com as informações apresentadas na investigação da Polícia Federal.

A operação Miragem desencadeada pela PF visa o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens e ativos relacionados ao Banco Digimais. O relatório também solicita a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Edir Macedo, sendo este último poupado das buscas devido à sua residência no exterior.

A IURD defende que “a gestão das atividades [do banco] é responsabilidade exclusiva dos executivos e profissionais legalmente habilitados perante os órgãos reguladores” e critica os meios de comunicação que divulgaram notícias sobre a operação.

A nota finaliza com uma declaração expressando desconfiança em relação à cobertura midiática, alegando que há décadas o bispo Macedo e a Igreja Universal são alvo de informações incorretas. A mensagem conclui com “acima de tudo, e sempre, confiamos em Deus”.

https://x.com/IgrejaUniversal/status/2069763872429310331

“Grande ira”

À distância do centro do escândalo financeiro que abalou o Brasil, Edir Macedo utilizou sua habilidade retórica religiosa para enfrentar esta crise. Desde Miami, nos Estados Unidos, ele postou uma passagem bíblica enigmática no dia 24 de outubro, logo após a PF iniciar as ações da Operação Miragem.

Em seu blog oficial e nas redes sociais, incluindo X (antigo Twitter), Macedo compartilhou um relato sobre Ezequias, rei de Judá. O trecho selecionado do livro II Crônicas menciona que o monarca “não retribuiu o benefício recebido” e que seu “coração exaltado” trouxe sobre ele uma “grande ira”.

Sem mencionar diretamente as atividades da Polícia Federal ou os escândalos financeiros envolvendo o Digimais, o líder religioso deixou implícito um recado que ressoou nos bastidores políticos como um aviso sutil em meio às investigações em curso.

Refúgio luxuoso e inovações arquitetônicas

A disparidade entre sua pregação sobre a “ira divina” e seu estilo de vida ostentoso ilustra um império sem limites. Edir Macedo não foi alvo direto das operações policiais na terça-feira (23) devido à sua residência nos Estados Unidos, onde desfruta da opulência da costa leste americana.

O aviso bíblico foi enviado de um dos imóveis mais caros do planeta. O bispo reside em um apartamento na luxuosa Porsche Design Tower, localizada em Sunny Isles Beach, nas proximidades de Miami. Avaliado em cerca de R$ 17 milhões, esse imóvel apresenta uma característica única: o “Dezervator”, um elevador automotivo privado que permite aos moradores estacionar seus veículos dentro da sala de estar.

Enquanto as autoridades brasileiras investigam possíveis crimes financeiros ligados ao Digimais — incluindo gestão fraudulenta e manipulação contábil — Macedo observa a deterioração da reputação do banco confortavelmente instalado em sua fortaleza envidraçada voltada para o Oceano Atlântico.

A pressão da PF e as descobertas reveladas

A Operação Miragem envolveu mais de 50 policiais federais em São Paulo para cumprir nove mandados de busca e apreensão, atingindo diretamente o núcleo financeiro da Igreja Universal. A Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens vinculados aos investigados e autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal deles — sendo Edir Macedo especificamente mencionado nas solicitações relacionadas à quebra dos sigilos.

A investigação teve início com relatórios do Banco Central indicando manipulações nos registros financeiros por parte da alta cúpula do banco para aparentar solvência diante das autoridades reguladoras enquanto realizavam operações irregulares.

A crise enfrentada pelo Digimais não surgiu repentinamente. Como reportagens recentes têm destacado detalhadamente, as conexões do banco revelam forte influência nos circuitos políticos tanto em Brasília quanto nos estados. A transformação do antigo Banco Renner no atual Digimais recebeu aprovação do Banco Central sob Roberto Campos Neto. Além disso, o banco conquistou recentemente um acesso lucrativo ao mercado paulista ao ser aprovado pelo governo Tarcísio de Freitas para conceder empréstimos consignados a policiais militares.

Em resposta às acusações, o Banco Digimais afirmou estar disponível para colaborar com as autoridades competentes enquanto reafirmava seu “compromisso com a transparência”. Contudo, a quebra dos sigilos promete revelar uma rede complexa. Enquanto isso, Edir Macedo permanece em sua torre protegida na Flórida, utilizando textos sagrados como escudo contra críticas públicas e plataformas políticas.

By Ribeirão News

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