O deputado federal e pastor evangélico Otoni de Paula (PSD-RJ), que por muitos anos foi um dos principais aliados de Jair Bolsonaro, declarou sua intenção de votar em Luiz Inácio Lula da Silva caso o petista dispute o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em uma conversa com o jornalista Juca Kfouri, na TVT, Otoni revelou que desenvolveu um “profundo respeito” pelo atual presidente e mencionou a possibilidade de iniciar um movimento nacional que reúna conservadores dispostos a apoiar Lula em oposição ao filho do ex-presidente.
“Eu tomei uma decisão baseada na minha consciência. Primeiro, eu passei a ter um profundo respeito por Lula. Um respeito profundo, profundo”, afirmou.
“Se houver um segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, não hesitarei em afirmar que votarei em Lula pela primeira vez na minha vida”, completou o deputado.
Otoni também anunciou o nome do movimento que pretende lançar:
“Vou iniciar, se necessário, um movimento nacional chamado Direita com Lula. Afinal, ninguém poderá alegar que eu não sou conservador ou que não sou de direita.”
Assista ao vídeo:
https://x.com/Pri_usabr1/status/2082465134979518744
Mudança de lado: de defensor de Bolsonaro a apoiador de Lula
Essa declaração marca mais um passo na separação de Otoni do bolsonarismo. Desde sua eleição como deputado federal em 2018, o pastor foi um fervoroso defensor de Jair Bolsonaro tanto no Congresso quanto nas mídias sociais. A publicação Fórum já o havia rotulado como parte da “tropa de choque” do ex-presidente.
A ruptura começou a se manifestar publicamente em 2024, quando Otoni decidiu apoiar a reeleição de Eduardo Paes (PSD) para a prefeitura do Rio de Janeiro, desafiando o clã Bolsonaro, que optou por Alexandre Ramagem (PL). Segundo o deputado, essa escolha gerou críticas e ataques por parte de Flávio Bolsonaro e outros membros do grupo.
Em outubro daquele ano, durante uma cerimônia onde Lula sancionou a lei instituindo o Dia Nacional da Música Gospel, Otoni elogiou o presidente e pediu uma colaboração “sem reservas” entre os evangélicos e o governo.
Na ocasião, ele reconheceu ter sido “um dos defensores mais combativos” do governo Bolsonaro e crítico ferrenho de Lula no passado. No entanto, destacou que os brasileiros evangélicos em situação de vulnerabilidade estavam sendo beneficiados pelos programas sociais do governo atual. O parlamentar ainda afirmou a Lula que existia “lugar à mesa” para diálogo com as igrejas.
Logo após isso, Otoni comparou Bolsonaro a um “bezerro de ouro” criado por líderes religiosos e defendeu que as igrejas deixassem de tratar o ex-presidente como uma figura venerável.
Reflexões sobre seu passado bolsonarista
A autocrítica relacionada ao período bolsonarista também foi abordada na entrevista concedida à TVT em junho. Durante um tratamento médico, Otoni revisitou um discurso no qual ameaçava receber Lula e seus apoiadores “à bala”.
“Nunca atirei na minha vida; tenho medo de armas. Por que eu agia daquela forma? Olhei para mim mesmo e senti vergonha ao perceber que estava mais próximo de Bolsonaro do que de Jesus”, relatou.
Otoni também criticou como o bolsonarismo conseguiu captar politicamente parte das igrejas evangélicas e afastar fiéis próximos a Lula.
“Fomos sequestrados por uma ideologia que nunca fez parte da igreja, pois ela não é nem direita nem esquerda; é a igreja é de Jesus”, declarou.
Em fevereiro deste ano, numa participação na GloboNews, ele reiterou seu apoio a Lula e mencionou ações governamentais que favoreceram setores evangélicos, dando continuidade à aproximação iniciada publicamente em 2024.
Caiado no primeiro turno; Lula contra Flávio no segundo
Apesar dos elogios direcionados a Lula, Otoni declarou que seu candidato para o primeiro turno é o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), quem ele se filiou em abril com a missão de conectar Caiado ao eleitorado evangélico.
Apesar dos elogios direcionados a Lula, Otoni declarou que seu candidato para o primeiro turno é o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), quem ele se filiou em abril com a missão de conectar Caiado ao eleitorado evangélico.
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No entanto , ele deixou claro em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (29)que não apoiará Flávio Bolsonaro caso este chegue ao segundo turno.
“Vou seguir com Caiado porque precisamos ter opções. Nunca votei em Lula antes. Contudo , se continuarmos nessa polarização no segundo turno , não irei caminhar com a família Bolsonaro”, enfatizou . p >
Otoni observou ainda que existe uma parcela da direita conservadora que , apesar das divergências ideológicas com o governo petista , não se sente representada pelo filho do ex-presidente . Ele também acredita que Flávio não possui entre os evangélicos a mesma força eleitoral acumulada pelo pai . p >
“Os evangélicos ainda votam em Flávio , mas não com a mesma intensidade com que votaram no pai dele . Flávio não tem a mesma adesão”, afirmou . p >
Assim sendo , ao anunciar sua intenção de liderar uma “direita com Lula”, Otoni transforma sua separação do bolsonarismo em uma clara declaração pública sobre seu voto — tentando abrir espaço justamente entre os eleitores evangélicos que têm servido como base política fundamental para a família Bolsonaro desde 2018 . p>