Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL), foi detido em flagrante nesta terça-feira (08). A prisão ocorreu durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro associada a postos de gasolina, com movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Canella foi encaminhado para o Presídio José Frederico Marques, localizado em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro, por volta das 21h. Ele aguarda uma audiência de custódia, na qual a Justiça avaliará se sua detenção será mantida ou se ele poderá responder ao processo em liberdade.
Inicialmente, Canella era apenas o alvo de um mandado de busca e apreensão. No entanto, a situação se alterou drasticamente quando os agentes federais descobriram um fuzil em sua mala. Ele foi então autuado em flagrante por porte ilegal de arma restrita e levado para prestar depoimento antes de ser transferido para o presídio mencionado. Durante as buscas em sua residência, a Polícia Federal também encontrou outras armas, munições e relógios de alto valor.
A análise da legalidade da prisão em flagrante será feita na audiência de custódia mencionada anteriormente, onde será decidido se Canella continuará detido ou poderá responder ao processo fora das grades.
Atualmente filiado ao União Brasil, Canella havia deixado a Prefeitura de Belford Roxo neste ano com o intuito de se candidatar ao Senado, contando com o apoio explícito de Flávio Bolsonaro. Contudo, sua prisão em posse de uma arma restrita transformou uma operação inicialmente voltada para busca e apreensão em uma detenção significativa, impactando tanto sua situação jurídica quanto suas perspectivas eleitorais.
Consequências políticas na corrida pelo Senado
A detenção de Canella imediatamente reacendeu a disputa pela vaga ao Senado na chapa vinculada a Flávio Bolsonaro no estado do Rio. O ex-prefeito havia sido posicionado como o candidato do União Brasil para integrar a candidatura majoritária junto ao filho do ex-presidente. Sua prisão deixou um vazio significativo no cenário político a menos de um ano das eleições.
No contexto das articulações entre membros do União Brasil e do PL, o nome que ganhou destaque é o de Felipe Curi (PP), ex-secretário da Polícia Civil do Rio. Considerado um forte candidato devido à sua ligação com segurança pública e habilidade nas relações políticas entre os partidos aliados, sua candidatura enfrenta resistência interna no PP. O partido vê Curi como um potencial puxador de votos para as eleições da Câmara dos Deputados em 2026; assim, sua mudança para uma disputa majoritária exigiria uma reestruturação estratégica do partido.
Além disso, outros nomes estão sendo discutidos sem definição clara. Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, foi mencionado; no entanto, interlocutores consideram que sua candidatura pode ser prejudicada pelo desgaste relacionado ao caso Banco Master. Relatórios da Receita Federal indicam que seu escritório recebeu R$ 6,4 milhões daquela instituição após ter prestado serviços jurídicos a ela. Leniel Borel, vereador do PP e pai do menino Henry Borel, também tem sido cogitado como possível candidato devido à sua projeção pública; contudo, suas habilidades políticas são vistas como insuficientes para uma campanha senatorial.
O nome de Marcelo Crivella (Republicanos) foi sugerido por alguns membros do PL; entretanto, essa possibilidade é considerada improvável devido aos compromissos políticos já existentes. Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro, ainda é vista como uma opção para assumir uma suplência sem evidências concretas sobre uma candidatura principal.
A Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne está atualmente em sua sexta fase com foco na desarticulação de uma quadrilha suspeita de utilizar postos de gasolina como fachada para lavagem de dinheiro. Essa investigação teve início após um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf revelar movimentações financeiras superiores a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos ligado ao grupo investigado. Os mandados foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal.
Além de Canella, outros alvos nesta operação incluem o delegado Marcus Amim e o policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira. Todos foram alvo das ações realizadas na terça-feira. A operação abrangeu 19 locais, incluindo endereços na capital fluminense e nas cidades vizinhas Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Durante as ações policiais foram apreendidos 11 veículos luxuosos — entre eles uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão — além de aproximadamente R$ 800 mil encontrados em espécie em uma empresa localizada em Niterói. A Justiça também determinou o bloqueio patrimonial e suspensão das atividades econômicas das empresas ligadas ao grupo investigado; os detalhes dos bens sequestrados ainda não foram divulgados pela PF. Os envolvidos poderão ser acusados por organização criminosa, contratações ilegais e lavagem de dinheiro.
A operação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II coordenada pela Polícia Federal sob orientação do STF no âmbito da ADPF 635, conhecida popularmente como ADPF das Favelas. A complexidade dessa investigação evidencia a ambição da PF em desmantelar um esquema que envolve figuras públicas significativas e operações financeiras bilionárias.