Republicanos em Minas criticam e desestabilizam candidatura de Cleitinho, que enfrenta luto pela perda do irmão: “retroscessos constantes

O senador Cleitinho (Republicanos) está em luto pela perda de seu irmão, Matheus Augusto de Azevedo, que faleceu no dia 18 devido a complicações ligadas à leucemia. Nesse contexto delicado, ele foi afastado da corrida pelo governo de Minas Gerais pela alta cúpula do partido, tanto em nível estadual quanto nacional. A decisão foi comunicada em uma nota contundente emitida nesta quarta-feira (29), onde os líderes do Republicanos criticaram os “sucessivos recursos” do senador.

No comunicado, publicado pelas executivas estaduais e nacionais do partido — vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) de Edir Macedo —, Cleitinho é acusado de não comparecer à convenção estadual realizada no último sábado, dia 25, enquanto se encontrava com sua família devido ao falecimento do irmão.

A nota afirma que “a ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – mesmo com justificativas pessoais – configurou um fato político claro que acarretou consequências inevitáveis”. De acordo com o texto, a falta de confirmação de sua candidatura levou os partidos aliados a reavaliarem suas estratégias e tomarem decisões necessárias, algo comum em qualquer processo eleitoral.

Além disso, o documento critica Cleitinho por seus “sucessivos recuos” em relação à definição sobre sua candidatura ao governo do Estado.

“Durante meses, o partido manteve um diálogo aberto e propôs as condições políticas necessárias. Diversos partidos aliados foram atraídos e aguardamos uma posição clara do senador. Essa expectativa levou ao adiamento de várias decisões estratégicas para garantir a viabilidade de sua possível candidatura. Contudo, uma candidatura requer uma decisão firme de quem deseja disputá-la. Essa definição não ocorreu. Compromissos não podem ser substituídos por sinais contraditórios ou indefinições que prejudicam a formação de um projeto coletivo”, destaca a nota.

Por fim, o Republicanos, sob a liderança do bispo licenciado e deputado federal Marcos Pereira (SP), conclui que “os fatos falam por si”. “O partido estava preparado. No entanto, a candidatura nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la” — o texto completo está disponível ao final da reportagem.

Corrida pelo governo

A divulgação dessa nota ocorre um dia após aliados de Cleitinho indicarem que ele poderia entrar na disputa pelo governo mineiro. O teor do comunicado revela descontentamento por parte do partido, que vê Minas Gerais como uma peça chave nas negociações com Flávio Bolsonaro (PL) no cenário político nacional.

O impasse atual é devido a outras exigências feitas pelo Republicanos — como a indicação de Marcos Pereira para uma vaga no STF e o compromisso de Flávio Bolsonaro em não buscar reeleição em favor de Tarcísio de Freitas. Esse acordo visaria proporcionar um palanque para o filho “01” de Jair Bolsonaro em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

Uma pesquisa realizada pela Quaest e encomendada pela Genial Investimentos, divulgada na terça-feira (28), aponta Cleitinho Azevedo (Republicanos) liderando com ampla vantagem na corrida ao governo mineiro, acumulando 35% das intenções de voto no cenário mais abrangente. O estudo ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho e possui uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

No cenário mais amplo analisado pela Quaest, Cleitinho Azevedo aparece com 35% das intenções de voto — mais que o dobro do segundo colocado. Alexandre Kalil (PDT) ocupa a segunda posição com 12%, seguido por Patrus Ananias (PT) com 10% e Mateus Simões (PSD) com 6%. A distância entre o líder e os demais candidatos se mantém consistente nos diferentes cenários testados onde Cleitinho é incluído, apresentando variações dentro da margem de erro.

Nas simulações para um possível segundo turno, Cleitinho Azevedo continua liderando com margens significativas: ele venceria Kalil por 44% a 29%, Patrus Ananias por 46% a 31% e Mateus Simões por 46% a 15%.

Leia a íntegra da nota do Republicanos

Republicanos divulga nota sobre candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas Gerais

No comunicado conjunto, as executivas estadual e nacional afirmam que até a Convenção Estadual o senador não havia formalizado sua candidatura.

A cúpula do Republicanos em Minas Gerais reiterou através do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, que sempre tratou com entusiasmo e respeito a possibilidade da candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo pelo partido. Entretanto, esse entusiasmo não foi correspondido até o dia da convenção estadual realizada em 25 de julho.

Ao longo dos meses, o partido manteve as portas abertas para diálogo, proporcionou as condições políticas necessárias e atraiu aliados políticos enquanto esperava uma definição clara por parte do senador. Por conta dessa expectativa gerada diversas decisões estratégicas foram adiadas para garantir a viabilidade da eventual candidatura dele.

No entanto, para ser candidato é essencial ter uma decisão firme daquele que pretende concorrer. Essa decisão nunca se concretizou. Um compromisso não pode ser trocado por sinais confusos ou recuos constantes que prejudicam o desenvolvimento coletivo do projeto.

A ausência do senador na Convenção Estadual – mesmo tendo justificativas pessoais – resultou em um fato político claro com consequências inevitáveis. Diante da incerteza sobre sua candidatura, os partidos aliados tiveram que reavaliar suas direções e tomar decisões adequadas ao processo eleitoral.

O partido trabalhou arduamente para viabilizar essa candidatura; faltou apenas uma decisão clara daquele que deveria ser primeiramente seu próprio candidato.

O Republicanos respeita tanto a trajetória quanto o mandato do senador Cleitinho Azevedo; contudo, tem também a responsabilidade de conduzir seu projeto político com seriedade e respeito aos candidatos às câmaras federal e estadual assim como aos seus filiados e à população mineira.

Os fatos falam por si só: o partido estava preparado; no entanto, a candidatura nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.

By Ribeirão News

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