Nesta quarta-feira (26), uma avalanche de grandes proporções devastou a área de fronteira entre o Nepal e o Tibete, resultando em pelo menos 98 fatalidades e 844 pessoas desaparecidas, conforme os dados disponíveis até o início da tarde.
No Nepal, foram registradas 95 mortes e 579 desaparecimentos, enquanto no Tibete, sob controle chinês, três óbitos e 265 desaparecidos foram contabilizados.
Imagens capturadas na localidade evidenciam a força da avalanche e das enxurradas de lama. A massa de água misturada a detritos avançou pelo vale, destruindo pontes, atingindo vilarejos e até engolindo parte das instalações do porto de Gyirong, um importante ponto de passagem entre a China e o Nepal.
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Área estratégica sofre impacto
Embora a densidade populacional seja baixa, a região afetada é crucial devido à sua conexão entre diversas cidades e vilarejos, além de abrigar usinas hidrelétricas e uma passagem de fronteira utilizada para o tráfego entre Nepal e China.
O desastre ocorreu no distrito de Rasuwa, onde residem cerca de 50 mil pessoas. Relatos locais indicam que comunidades próximas aos rios sofreram destruição severa.
“A devastação é generalizada. Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrasados”, comunicou Tula Bahadur BK, um profissional da saúde em Rasuwa.
Vídeos mostram casas em ruínas, veículos sendo arrastados pela correnteza e uma ponte metálica sendo levada pelas águas do rio Trishuli.
Possível conexão com terremoto
As autoridades estão investigando as causas do desastre. Uma das possibilidades é que um terremoto de magnitude 4,4, ocorrido poucos minutos antes da avalanche, tenha sido o gatilho para o deslizamento.
Especialistas também consideram que o evento pode estar ligado ao colapso de um lago glacial, fenômeno conhecido como GLOF (do inglês Glacial Lake Outburst Flood).
Os Himalaias são particularmente suscetíveis a esse tipo de evento. O derretimento acelerado das geleiras contribui para a formação e aumento dos lagos glaciares, muitos dos quais estão localizados no Tibete. Quando esses lagos se rompem, grandes volumes de água podem fluir pelos vales, ocasionando inundações e deslizamentos.
Em julho de 2025, o vale do rio Bhote Koshi já havia enfrentado uma inundação relacionada ao colapso de um lago glacial. Naquela ocasião, 17 pessoas desapareceram.
Ainda não há confirmação se esse mesmo fenômeno foi o causador da avalanche registrada nesta quarta-feira.
Destruição no porto de Gyirong
Um dos locais mais afetados foi o porto de Gyirong, situado na aldeia tibetana de Resuo. Essa estrutura às margens do rio Kyirong Tsangpo foi fortemente impactada pela avalanche.
No condado de Gyirong, um deslizamento também comprometeu uma estrada usada para interligar os dois países. Entre os desaparecidos estão oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica.
A região atingida faz parte da cadeia montanhosa dos Himalaias, considerada uma das maiores do mundo. O Nepal abriga oito dos quatorze picos que ultrapassam 8 mil metros de altitude, incluindo o Monte Everest.
Ação de resgate mobiliza forças armadas e policiais
As equipes responsáveis pelas operações de emergência enfrentam dificuldades para acessar as áreas afetadas devido à destruição das estradas e pontes.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, anunciou que tanto policiais quanto militares foram convocados para ajudar nas atividades de busca e salvamento.
O Exército nepalês reportou ter resgatado 88 pessoas das áreas acometidas pela avalanche.
Além disso, a região está passando pelo período das monções, caracterizado por chuvas intensas que ocorrem entre junho e setembro. Durante essa época nos Himalaias são comuns inundações e deslizamentos; no entanto, a gravidade da tragédia nesta quarta-feira impressionou devido ao alto número de mortos e desaparecidos, além da destruição generalizada ao longo do vale.