O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) firmou um contrato no valor de R$ 349,8 mil com o Instituto de Estudos Jurídicos e Técnicos (ITER), uma entidade vinculada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O curso de oratória, que será ministrado pelo próprio Mendonça, faz parte do acordo.
Essa informação foi divulgada pelo jornalista Luís Nassif em uma matéria publicada no GGN, que faz parte de uma série de reportagens investigando as transações relacionadas ao ITER, fundado por Mendonça após sua nomeação ao STF.
A contratação do ITER pelo CFC ocorreu por meio de inexigibilidade e tinha como objetivo oferecer o curso denominado “A Arte e a Ciência da Oratória”. O treinamento é voltado para dirigentes e funcionários do conselho que atuam em funções de “direção, assessoramento estratégico e representação institucional”.
A investigação revelou que o curso não se destinava a oferecer formação técnica na área contábil, mas sim um aprimoramento voltado à alta administração da entidade.
Outra contratação significativa abrange liderança e governança
Além disso, conforme reportado por Luís Nassif, o CFC também contratou o ITER para um programa intitulado “imersão de liderança e governança”, cujo valor é estimado em cerca de R$ 1,38 milhão.
Esse evento visa reunir até 100 participantes, incluindo o presidente, vice-presidentes, membros do conselho consultivo, diretores e técnicos tanto do CFC quanto dos Conselhos Regionais de Contabilidade. Uma das atividades programadas inclui uma “Conferência Magna” ministrada pelo Ministro André Mendonça.
Nassif observa em sua análise que ambos os contratos firmados em um curto espaço de tempo totalizam aproximadamente R$ 1,73 milhão e estão ligados a uma instituição diretamente associada ao ministro, que atualmente atua como relator no Supremo Tribunal sobre questões ligadas ao caso Banco Master.
A reportagem também ressalta a importância do Conselho Federal de Contabilidade na representação e supervisão da profissão contábil, especialmente em um momento em que empresas auditórias e consultorias estão sendo debatidas publicamente no contexto desse caso.
Leia a reportagem original:
Xadrez de Mendonça 2: os negócios do ITER com o CFC, por Luís Nassif