A BYD está impulsionando uma significativa mudança em sua operação no Brasil. Após estabelecer presença com seus veículos elétricos e híbridos importados, a fabricante agora busca diminuir sua dependência da China e aumentar a proporção de componentes fabricados ou adquiridos localmente.
O objetivo é atingir 50% de conteúdo nacional nos automóveis produzidos na unidade de Camaçari, na Bahia, até o começo de 2027. Um dos principais focos dessa estratégia será o aumento da montagem de baterias para os veículos fabricados nessa planta.
Essa ação integra um investimento de R$ 5,5 bilhões no complexo industrial da Bahia e esclarece a ofensiva da BYD para se firmar de vez no mercado brasileiro.
A companhia ainda almeja um objetivo mais ambicioso: tornar-se a marca líder em vendas de automóveis no Brasil até 2030.
O que a BYD irá produzir no Brasil?
No início das operações em Camaçari, a montadora utilizou o sistema SKD, que se refere à importação de veículos que chegam ao país parcialmente montados.
Nesse modelo, uma parte significativa dos componentes é proveniente da China, com as etapas finais de montagem realizadas aqui.
Atualmente, a BYD está se esforçando para ampliar a contribuição da indústria nacional. O plano inclui o desenvolvimento das áreas de estamparia, soldagem e pintura, além da fabricação de peças e da busca por fornecedores locais.
A montagem das baterias também entrará nessa nova fase. Contudo, isso não implica que todos os componentes serão fabricados internamente.
No início, as células — que armazenam energia — continuarão sendo importadas da China. Em Camaçari, elas serão organizadas em módulos e conjuntos completos chamados packs, que serão instalados nos veículos posteriormente.
Dessa forma, o anúncio representa um passo adiante na nacionalização, embora as baterias ainda não sejam totalmente brasileiras.
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A nacionalização pode beneficiar os consumidores?
A ampliação da cadeia produtiva local pode ser vantajosa para os consumidores que já possuem ou desejam adquirir um veículo da BYD.
Com a disponibilidade maior de fornecedores e componentes nacionais, espera-se que a montadora ganhe agilidade na reposição das concessionárias e oficinas.
Isto poderá reduzir a dependência de peças importadas da China, que estão sujeitas a atrasos logísticos e flutuações cambiais devido ao transporte marítimo.
A produção local também tem potencial para diminuir custos tributários e logísticos. Contudo, não há garantias de que uma eventual redução nas despesas resultará automaticamente na diminuição dos preços dos veículos ou peças de reposição.
Isso dependerá das políticas comerciais da BYD, dos custos operacionais, do nível de concorrência e das condições do mercado.
Os consumidores poderão notar benefícios imediatos na disponibilidade das peças e na redução do tempo necessário para certos reparos.
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A busca por fornecedores brasileiros pela BYD
Para atingir sua meta de 50% de conteúdo nacional, a empresa não depende apenas da expansão da fábrica; também precisa estabelecer uma rede de fornecedores capazes de atender aos padrões exigidos pela montadora.
No ano de 2025, a BYD iniciou uma campanha para identificar fornecedores brasileiros dispostos a colaborar com o projeto. Entre os itens buscados estão pneus, para-choques, peças estruturais e componentes para os sistemas de bateria.
A Continental foi a primeira empresa homologada oficialmente para fornecer pneus à operação devido à sua unidade próxima ao complexo industrial baiano.
A montadora também revelou que mais de 100 empresas estabelecidas no Brasil já passaram por processos de qualificação para fornecer peças à fábrica em Camaçari.
Aumentar o conteúdo local permitirá à empresa atender às exigências industriais vigentes, desfrutar de benefícios tributários e diminuir as críticas sobre sua dependência excessiva em relação às importações.
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Investimentos além do setor automotivo
Os planos da BYD vão além das baterias utilizadas em veículos elétricos e híbridos.
A companhia está considerando investir até R$ 500 milhões na produção brasileira de sistemas conhecidos como BESS (Battery Energy Storage Systems).
Esses sistemas funcionam como grandes reservatórios elétricos capazes de armazenar energia gerada por fontes renováveis como parques solares e parques eólicos para uso posterior.
A tecnologia contribui para minimizar desperdícios energéticos e proporciona maior estabilidade ao sistema elétrico durante períodos em que há superprodução renovável em relação à capacidade da rede elétrica.
A BYD está avaliando duas opções: expandir sua operação existente em Manaus ou construir uma nova fábrica voltada exclusivamente aos sistemas de armazenamento. A localização dessa nova unidade ainda não foi divulgada.
Cumulativamente, a empresa planeja investir entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões na ampliação da linha dedicada às baterias destinadas a ônibus elétricos na capital amazonense.
Estrategia para liderar o mercado brasileiro
A nacionalização é parte integrante do plano estratégico da BYD visando torná-la menos dependente das importações externas.
A empresa já se posiciona fortemente nos segmentos de veículos elétricos e híbridos, tendo ultrapassado a marca de 200 concessionárias espalhadas pelo país. A meta até o final de 2026 é alcançar 300 pontos comerciais ativos.
Crescendo com sua fábrica ampliada, buscando fornecedores locais e realizando montagens nacionais das baterias nos veículos, a companhia pretende criar uma base sólida capaz de sustentar seu crescimento num mercado cada vez mais competitivo com novos concorrentes chineses surgindo constantemente.
A evolução industrial traz benefícios claros ao consumidor; entretanto, seus impactos precisam ser monitorados com atenção. Embora haja expectativas quanto à facilidade na manutenção devido à maior disponibilidade local das peças, isso não garante necessariamente uma queda nos preços dos automóveis.
O fato inegável é que a BYD aspira deixar sua operação no Brasil predominantemente como importadora. A planta localizada em Camaçari será fundamental nesse processo transformador e poderá intensificar ainda mais a competição no setor automotivo brasileiro.