Segundo o mais recente relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Revenue Statistics de 2025, a Dinamarca se mantém no primeiro lugar entre os países com a maior arrecadação tributária em relação ao PIB entre os 38 que integram a organização, com 45,2%.
Em seguida vêm a França, com 43,5%, e a Áustria (43,4%). A média entre os países da OCDE ficou em 34,1% em 2024, maior nível registrado na série da organização.
O Brasil, que não pertence à OCDE, tem uma carga tributária de 33,7% do PIB, segundo a edição do Revenue Statistics voltada aos países da América Latina e do Caribe.
O resultado coloca o país no primeiro lugar entre os 28 países latino-americanos e caribenhos considerados na comparação e abaixo da média de 34,1% da OCDE.
É importante notar, no entanto, que isso não significa que um brasileiro paga, individualmente, 33,7% de sua renda em impostos; a medida da OCDE considera a relação entre toda a arrecadação tributária feita no país e o tamanho da economia (a soma de todos os produtos e serviços produzidos no ano).
A OCDE define impostos, para fins estatísticos, como pagamentos obrigatórios feitos sobre renda e lucros, patrimônio, folha de pagamento, bens e serviços e outras bases. Contribuições obrigatórias para a seguridade social pagas ao governo também entram no cálculo.
Como funciona a tributação na Dinamarca?
Na Dinamarca, nação que lidera a tabela da OCDE pelo segundo ano consecutivo, os impostos sobre a renda pessoal respondiam por 57,2% de toda a arrecadação tributária do governo, e as contribuições para a seguridade social tinham participação praticamente nula, de 0,2%.
O país também arrecadava 20,8% da receita tributária por meio do IVA (o Imposto sobre o Valor Agregado, tributo indireto cobrado sobre o consumo de bens e serviços), e outros 7,4% com outros impostos sobre o consumo.
A estrutura de tributação da renda do país é progressiva, o que significa dizer que as alíquotas aumentam de forma proporcional à renda. Quem ganha menos, portanto, paga um valor menor, e o imposto não incide de forma integral sobre o total da renda de uma só vez.
Em 2026, o sistema passou a contar com diferentes faixas de tributação estadual, com uma faixa inferior, uma intermediária, a superior e, ainda, uma faixa adicional para além dos impostos municipais, o que ajuda a explicar a alta da arrecadação.
Outro fator a se considerar é o impacto dos impostos sobre a renda: num país com média de renda mais alta, a arrecadação exerce menos influência proporcional na composição total dos gastos.
A posição do Brasil
No caso do Brasil, a distância em relação à média latino-americana é expressiva, mas o país está abaixo da média da OCDE (entre a região latino-americana, ocupa o primeiro lugar em impostos, mas, em relação à média da OCDE, fica 0,4 ponto percentual abaixo).
Com os 33,7% registrados pelo Brasil, ele fica empatado com o Japão e abaixo da República Tcheca, que registrou 34,0%.
Na outra ponta da América Latina e do Caribe ficariam México, que registrou 18,3%, Colômbia (19,9%) e Chile (20,5%).
Quais impostos mais pesam no Brasil?
Segundo a OCDE, em 2024, os impostos sobre bens e serviços representaram 42,7% da arrecadação tributária brasileira. Os impostos sobre renda e lucros responderam por 26,9%, as contribuições para a seguridade social por 24,0%, os tributos sobre propriedade por 4,7% e os impostos sobre folha e força de trabalho por 1,7%.
Em termos do PIB, os números correspondem a 14,4% para bens e serviços, 9,1% para renda e lucros, 8,1% para contribuições sociais, 1,6% para propriedade e 0,6% para folha, de acordo com a classificação da OCDE.
O peso dos tributos sobre bens e serviços, que respondem pela maior composição das alíquotas, está na elevação das receitas com PIS/Cofins, ICMS, IPI e ISS.
De acordo com o Ipea, a predominância de tributos indiretos sobre bens contribui para um sistema tributário regressivo em relação à renda, porque famílias de menor rendimento tendem a destinar uma parcela maior de seus ganhos ao consumo.
Com a reforma tributária do consumo encaminhada pelo governo em 2025 (com as primeiras fases de implementação válidas a partir de 2026), melhorias foram adotadas para simplificar a cobrança dos impostos sobre bens e serviços, agora agregados num único Imposto sobre Valor Agregado (IVA), dividido entre a arrecadação estadual/municipal e federal.
A reforma contribui com a justiça social progressiva porque zera impostos sobre itens essenciais de alimentação e reduz em 60% as alíquotas de setores como saúde e educação.
Outra melhoria foi a mudança nas regras do Imposto de Renda, que ampliou a faixa de isenção do imposto para quem ganha até R$ 5.000 mensais, com descontos progressivos para rendas de até R$ 7.350.
Para compensar a perda de arrecadação da isenção, o governo implementou alíquotas mínimas efetivas para contribuintes de alta renda e a taxação de dividendos, o que aproximou o sistema brasileiro do modelo de impostos progressivos.