O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), ex-aliado do clã Bolsonaro, compartilhou um vídeo nas redes sociais onde explica os motivos que levaram Flávio Bolsonaro (PL) a reverter sua decisão de não participar do debate da Band, marcado para o próximo domingo (18). Essa mudança de posição foi anunciada na terça-feira (13).
“Não foi coragem. Foi cálculo”, afirmou Otoni em uma postagem na rede X, ao divulgar informações sobre pesquisas internas da campanha de Flávio, que supostamente influenciaram sua decisão de participar do debate.
“Presta atenção: Flávio não iria ao debate. Ele estava decidido a não comparecer. O que mudou? Não é coragem, mas sim a percepção das pesquisas internas que indicam um aumento significativo na popularidade de Lula. Portanto, ficar de fora do debate poderia fazer com que Lula ultrapassasse Flávio já nesta semana ou no início da próxima”, explicou.
O deputado reiterou que “o crescimento de Lula é constante e, reafirmo, vertiginoso”. Ele enfatizou que Flávio não desejava enfrentar Lula no debate, mas se viu compelido a fazê-lo para tentar estancar o avanço do adversário.
https://x.com/OtoniDepFederal/status/2110381401308619174
Reversão de posição
Após declarar na terça-feira (13) que não participaria do debate na Band, Flávio Bolsonaro mudou de ideia nesta quarta-feira (14) e confirmou sua presença no evento previsto para domingo (18).
A alteração ocorre em um contexto em que as pesquisas demonstram uma diminuição na vantagem inicial de Flávio no segundo turno e a circulação de trackings — levantamentos internos feitos diariamente para guiar estratégias, incluindo decisões sobre debates e publicidade.
Na pesquisa PoderData/AYA divulgada na terça-feira (13), por exemplo, a diferença entre os candidatos nos votos válidos caiu de seis para apenas dois pontos em cinco dias. Flávio teve seu percentual reduzido de 53% para 51%, enquanto Lula subiu de 47% para 49%. Considerando a margem de erro de 1,8 ponto percentual, ambos estão tecnicamente empatados.
A pesquisa BTG/Nexus também publicada na terça revelou Flávio com 52% e Lula com 48%, igualmente em empate técnico dentro da margem. Um dos resultados mais significativos ocorreu entre jovens eleitores de 16 a 24 anos: Lula cresceu de 49% para 57% nesse segmento.
Aumento da pressão nas últimas semanas
Nos últimos dias, além das pesquisas públicas, dados provenientes dos levantamentos internos começaram a ganhar destaque. Os trackings são ferramentas utilizadas para identificar rapidamente as alterações nas preferências do eleitorado e ajustar estratégias — incluindo a participação em debates.
No entanto, é importante tratar esses números com cautela. Como as pesquisas internas não costumam ser divulgadas conforme as exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os vazamentos que circulam nas redes devem ser interpretados com menos certeza em comparação às pesquisas registradas oficialmente.
O jornalista Guga Noblat relatou que teve acesso a um tracking do PL indicando que Lula já estaria à frente de Flávio Bolsonaro, o que gerou apreensão na campanha bolsonarista.
Diante desse cenário, Flávio fez sua segunda mudança significativa em poucos dias — após também recuar sobre o fim da escala 6×1.
Na terça-feira, durante um evento com membros do MDB em São Paulo, ele havia sido claro ao afirmar sobre sua participação no debate da Band: “Não vou, não está previsto esse debate domingo. Estamos analisando; minha equipe técnica dará a palavra final sobre ir ou não ao último debate”, referindo-se à disputa na TV Globo no final da campanha.
Lula prontamente confirmou sua presença no debate: “Estarei no debate da Bandeirantes neste domingo. Espero que meu adversário compareça para que possamos mostrar ao povo as diferenças entre nossos programas e candidaturas”, declarou o presidente.
A emissora intensificou a pressão afirmando que o programa ocorreria mesmo sem Flávio. Segundo as regras estabelecidas, o espaço do candidato ausente ficaria vazio durante a transmissão.
Poucas horas depois dessa declaração, Flávio voltou atrás: “Lula, você é tão previsível! Assim que anunciei minha ausência do debate da Band você correu para confirmar sua presença. É claro que irei ao debate; só queria que você fizesse isso primeiro”, disse ele em um vídeo nas redes sociais.
De acordo com o candidato do PL, sua recusa inicial teria sido uma estratégia para forçar Lula a confirmar sua presença.
Primeiro confronto direto
O debate da Band está agendado para este domingo às 20h e será o primeiro encontro direto entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta eleição.
Nenhum dos dois esteve presente nos debates entre os principais candidatos durante o primeiro turno. Agora, com uma diferença reduzida para apenas dois pontos nas pesquisas PoderData e uma campanha intensa por parte de Lula — incluindo atos públicos e mobilizações digitais — evitar um confronto televisionado se torna cada vez mais arriscado politicamente.
A própria campanha bolsonarista já demonstra preocupação com as reações dos apoiadores petistas em outras frentes. A mobilização digital em favor de Lula ganhou força especialmente em grupos do WhatsApp, acendendo alertas no entorno de Flávio e levando sua equipe a intensificar ações nas redes sociais e na Justiça Eleitoral.
Dessa forma, a mudança referente ao debate ocorre num momento crucial: apesar de Flávio ainda liderar numericamente nas principais pesquisas, ele já não desfruta da mesma tranquilidade observada no início do segundo turno. Com a redução das distâncias nos últimos levantamentos, administrar essa vantagem sem confrontos se tornou um risco que o candidato do PL decidiu não correr mais.