PT avalia resposta ao recente ataque de Flávio Bolsonaro sobre as urnas; Lindbergh rejeita solicitação de inelegibilidade

Na quarta-feira (22), Edinho Silva, presidente nacional do PT, revelou que a legenda está considerando tomar medidas legais contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o senador espalhar informações incorretas sobre as urnas eletrônicas em uma reunião com representantes de 42 países.

Essa declaração foi feita logo após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmar que o partido não planejava recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar a inelegibilidade do pré-candidato à presidência.

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As posições de ambos não são necessariamente contraditórias. Enquanto Lindbergh afastou um pedido específico — focado na candidatura de Flávio —, Edinho destacou que o partido está avaliando diversas formas de reação.

“O Partido dos Trabalhadores está analisando as opções judiciais disponíveis e reafirma seu compromisso com a democracia e a defesa das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro, respeitando os 158 milhões de eleitores e toda a população”, declarou o presidente da sigla.

Edinho critica Flávio por replicar “cultura golpista” do pai

Em um comunicado oficial, Edinho acusou Flávio de imitar as táticas utilizadas por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2022, quando houve uma tentativa deliberada de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.

“Flávio Bolsonaro prova ter a mesma cultura golpista que seu pai, Jair Bolsonaro, utilizando os mesmos métodos das eleições passadas. O senador se reuniu com diplomatas internacionais para questionar as urnas eletrônicas e, por extensão, o sistema eleitoral pelo qual ele e sua família foram eleitos diversas vezes”, afirmou.

Para o líder do PT, os ataques ao sistema eleitoral não devem ser considerados meros questionamentos técnicos ou ações isoladas. Edinho vinculou esses discursos à estratégia que precedeu a tentativa de golpe após a derrota de Bolsonaro para Lula.

“Conhecemos bem as consequências desse tipo de ofensiva antidemocrática. Como demonstrado nas investigações e no julgamento da tentativa de golpe em janeiro de 23, descredibilizar as urnas é uma tática contra nossa democracia. E o impacto pode ser extremamente grave, como a história recente já mostrou”, enfatizou.

Edinho também ressaltou que Flávio é pré-candidato à presidência e pode utilizar a desinformação sobre o sistema eleitoral para preparar uma contestação antecipada dos resultados.

“Não podemos permitir desinformação e notícias falsas sobre nosso sistema de votação vindas de um pré-candidato à Presidência da República”, acrescentou.

Lindbergh evita cair na “armadilha” da inelegibilidade

Antes da nota divulgada por Edinho, Lindbergh Farias já tinha declarado que o PT não solicitariam a inelegibilidade de Flávio Bolsonaro.

O deputado acredita que o senador repetiu intencionalmente uma situação que levou Jair Bolsonaro à inelegibilidade para provocar uma reação da Justiça Eleitoral e criar uma narrativa de perseguição política.

“Flávio, nós não vamos ao TSE pedir sua inelegibilidade. Isso é exatamente o que você quer! Para se apresentar como vítima e fazer acusações. Nós vamos vencer você e seus aliados nas urnas”, afirmou Lindbergh.

O líder do PT também mencionou que essa ofensiva contra as urnas busca estabelecer um cenário favorável para questionar a legitimidade das eleições caso os resultados em outubro sejam desfavoráveis ao bolsonarismo.

“Vocês buscam um motivo para questionar a integridade eleitoral, tentando fazer com que os Estados Unidos não reconheçam os resultados ou até mesmo para tentar dar outro golpe”, denunciou.

A nota emitida por Edinho não faz menção específica ao pedido de inelegibilidade nem esclarece se alguma medida será apresentada ao TSE ou ao Ministério Público Eleitoral. Até agora, o partido informou apenas que está analisando as possibilidades jurídicas disponíveis.

Flávio propaga fake news

Durante o evento “Debatendo o Brasil”, realizado em Brasília na terça-feira (21), Flávio fez uma associação entre as urnas eletrônicas brasileiras e a empresa venezuelana Smartmatic.

“Muitas máquinas usadas nas eleições brasileiras têm origem nessa empresa venezuelana”, declarou o senador perante os diplomatas presentes.

Essa afirmação é infundada. De acordo com informações do TSE, a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem softwares utilizados nos equipamentos brasileiros. Todo o desenvolvimento do sistema eletrônico de votação foi realizado pela Justiça Eleitoral brasileira.

A empresa apenas prestou serviços relacionados à conexão de dados e treinamento para profissionais de suporte. Ela participou de uma licitação para fabricar urnas para as eleições municipais em 2020, mas perdeu para outra concorrente, Positivo.

Após esse episódio, a pré-campanha de Flávio divulgou um comunicado afirmando que o senador confia plenamente no sistema eleitoral e que durante o evento deixou claro não estar questionando a votação no Brasil.

Contudo, essa nota não corrigiu a falsa associação entre a Smartmatic e as urnas utilizadas no Brasil.

Esse incidente lembra eventos ocorridos em julho de 2022, quando Jair Bolsonaro convocou embaixadores ao Palácio da Alvorada para disseminar acusações sem evidências contra o sistema eleitoral utilizando estruturas públicas e a TV Brasil.

Em junho deste ano, o TSE concluiu que Bolsonaro havia cometido abuso de poder político e uso inadequado dos meios de comunicação. A Corte decidiu torná-lo inelegível por oito anos contados desde as eleições de 2022 com cinco votos favoráveis contra dois contrários.

Ao optar por não mover ação semelhante contra Flávio, Lindbergh busca evitar que o senador transforme um eventual processo em argumento de perseguição política. Por outro lado, a nota emitida por Edinho indica que o PT pretende responder juridicamente aos novos ataques às urnas eleitorais.

Ainda não foi anunciada nenhuma medida específica que será adotada pelo partido nesse sentido.

By Ribeirão News

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