BRICS impulsiona desdolarização, enquanto dólar continua a prevalecer

Atualmente, o dólar representa 90% das transações de câmbio ao redor do mundo, mas sua proporção nas reservas internacionais diminuiu de 70% para 59% nos últimos 20 anos. Nesse contexto, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitou a ideia de uma moeda única para os países do BRICS, embora tenha mencionado que a infraestrutura necessária para a desdolarização está se desenvolvendo. Em uma entrevista ao India Today TV, Lula destacou que não há discussões ou propostas em andamento sobre uma moeda comum entre os membros do bloco, mas enfatizou a importância de diversificar as opções monetárias para acordos bilaterais.

A movimentação em direção à desdolarização no BRICS está sendo impulsionada por acordos comerciais que utilizam moedas locais e pela ampliação de sistemas de pagamento. Um exemplo notável é a parceria entre Rússia e China, que agora realizam 99,1% de suas transações comerciais utilizando rublos e yuans, respectivamente. O Brasil também firmou um acordo semelhante com a China, que movimenta aproximadamente 100 bilhões de dólares anualmente desde 2023.

No entanto, a proposta de uma moeda única enfrenta oposição. O ministro das Relações Exteriores indiano, Subrahmanyam Jaishankar, afirmou que o dólar é fundamental para a estabilidade econômica global e que mais segurança nesse aspecto é desejável. Da mesma forma, o ministro do Comércio da Índia, Piyush Goyal, declarou ser inviável considerar uma moeda compartilhada entre os países do BRICS e a China.

A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, afirmou que priorizar operações em moedas locais é essencial para estabelecer um sistema financeiro internacional mais equilibrado. Ela salientou que o papel do dólar como moeda reserva global não desaparecerá repentinamente, mas reconheceu o crescimento do comércio em moedas locais.

Adicionalmente, o BRICS apresentou a proposta da Unidade BRICS, um instrumento digital baseado em tecnologia blockchain destinado a facilitar liquidações de transações transfronteiriças entre seus membros sem depender do sistema SWIFT. Embora ainda esteja em fase experimental, essa unidade é vista como uma alternativa para mitigar a exposição às sanções impostas pelos Estados Unidos.

Para importadores e exportadores, assim como para qualquer empresa envolvida com câmbio: um sistema onde rublo, yuan e real tenham maior participação pode proporcionar mais estabilidade e reduzir os custos transacionais. A estrutura necessária para promover a desdolarização está se solidificando mesmo na ausência imediata de planos para uma moeda única dentro do bloco.

By Ribeirão News

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