Brasil conquista a vitória sobre o “Tariflávio” (Parte 2)

O panorama geopolítico mundial está em transformação significativa, enquanto a oposição conservadora brasileira parece ignorar essa realidade. A recente audiência no Senado sobre comércio internacional e política externa apenas expôs o descompasso da extrema direita. A atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi não apenas risível, mas também um claro exemplo de uma diplomacia colonizada.

Ao discutir as políticas tarifárias e comerciais do Brasil — a maior potência agroambiental global e uma nação de grandes dimensões — Flávio deixou de lado o tradicional filtro do Itamaraty. Em vez de seguir a abordagem pragmática e apartidária da “política de Estado”, o senador optou por se submeter à política partidária interna e ao servilismo à agenda “América First” de Donald Trump. O que se observou foi uma defesa de um alinhamento incondicional com o Norte Global, desconsiderando que a proteção tarifária promovida por Trump resulta inevitavelmente na diminuição do mercado brasileiro.

Enquanto o senador exibia seu complexo de vira-lata tarifário — que poderíamos chamar de “Tariflávio” — os dados concretos da economia nacional demonstravam que o Brasil já havia saído vitorioso dessa disputa nos portos e nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O protecionismo dos EUA e a postura isolacionista defendida por Flávio foram superados pelos recordes do pragmatismo Sul-Sul.

A análise dos dados disponíveis no Comex Stat revela a falência total da narrativa bolsonarista. Considerando a métrica mais confiável para o comércio exterior — o acumulado em 12 meses (julho de 2025 a junho de 2026) — o Brasil rompeu suas marcas históricas. A corrente de comércio (soma das exportações e importações) atingiu um impressionante montante de US$ 615 bilhões.

Esse resultado foi possível graças ao recorde nas exportações, que ultrapassaram US$ 350 bilhões, resultando no segundo maior superávit comercial da história brasileira, cerca de US$ 85 bilhões. Comparando com a safra anterior (2020/2021), houve um crescimento extraordinário de quase 40% na corrente comercial. O Brasil não se isolou; pelo contrário, expandiu-se vigorosamente.

A narrativa sobre submissão aos EUA é desmentida pela força das commodities brasileiras. O petróleo bruto se destacou como o principal gerador de receitas, enquanto o complexo soja compensou flutuações nos preços com volumes significativos de embarques.

Entretanto, as maiores surpresas vieram das nossas tradições históricas. Tanto o café verde quanto o café solúvel alcançaram faturamentos incríveis devido às altas cotações globais. No setor frigorífico, as vendas superaram os US$ 23 bilhões no intervalo entre julho e junho, com frango e boi abastecendo contêineres que partem diariamente rumo à Ásia e ao Oriente Médio.

A Revolução da Alta Tecnologia e a Derrota do Norte

No entanto, um dos aspectos que mais envergonha a postura subserviente da diplomacia de Flávio Bolsonaro é a origem das nossas importações tecnológicas. Enquanto os Estados Unidos se envolvem em uma “Guerra Fria” infrutífera ao sancionar tecnologias orientais, o Brasil utiliza os recursos provenientes de seus superávits para modernizar sua infraestrutura produtiva diretamente com as fontes asiáticas. E essas fontes não estão localizadas no Texas, mas sim em Shenzhen e Guangzhou.

A revolução digital que ocorre no Brasil é indubitavelmente orientada pela Ásia. Nos últimos 12 meses, importamos quase US$ 3 bilhões em smartphones, aproximadamente US$ 5 bilhões em computadores, além de quase US$ 7 bilhões em chips e semicondutores. A maior parte desse hardware essencial para nossa economia vem através do Pacífico.

No setor automobilístico, as mudanças são ainda mais radicais. As importações de veículos aumentaram significativamente graças ao fenômeno dos carros elétricos e híbridos chineses. Montadoras como BYD e GWM tomaram conta do mercado brasileiro. O país investiu cerca de US$ 3 bilhões em veículos sustentáveis asiáticos, ofuscando as montadoras ocidentais tradicionais. Na geração energética, foram gastos US$ 4 bilhões em painéis solares, predominantemente chineses, acelerando assim a transição energética nas áreas rurais e urbanas.

Ao tentar restringir a relevância geopolítica do Brasil às trivialidades da guerra ideológica americana, Flávio Bolsonaro demonstrou estar completamente desconectado da realidade nos portos de Santos, Paranaguá e Suape. O Brasil pragmático — que vende aviões, carne e energia para diversas partes do mundo enquanto adquire carros elétricos e semicondutores do Oriente — não se encaixa nas diretrizes protecionistas do Norte Global.

O conceito denominado “Tariflávio” não representa uma política comercial efetiva. Trata-se apenas da ilusão reacionária de um país que já ficou para trás.

By Ribeirão News

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