Os bancos centrais em diversos países africanos estão implementando uma estratégia focada na aquisição de ouro local para fortalecer suas reservas nacionais, o que ajuda a mitigar os riscos associados às oscilações cambiais e impulsiona a industrialização nas regiões.
Recentemente, o Banco Central de Uganda deu início à compra de parte da produção de ouro do país. O especialista em mineração, Olanya Olenge Tonny, indicou que o programa nacional voltado para o ouro foi oficialmente lançado em março de 2026.
A instituição estabeleceu parcerias com a refinaria Eurogold, que atua como principal colaboradora, e com a Felstein como parceira secundária. Essa medida busca criar uma cadeia de valor abrangente que vai desde a extração até o refino do metal precioso em Uganda.
O caso de Uganda reflete uma tendência mais ampla entre os países produtores de ouro na África Subsaariana. Nações como Tanzânia, Gana e República Democrática do Congo estão aumentando a proporção de ouro produzido internamente em suas reservas oficiais.
O banco central da República Democrática do Congo recentemente recebeu seus primeiros lingotes de ouro em dez anos, o que sinaliza um retorno ao controle estatal sobre os recursos minerais do país.
A partir de 2024, a Tanzânia instituiu uma norma que obriga as empresas exportadoras a destinarem 20% da produção aurífera para os estoques internos. Essa política visa assegurar que uma parte da riqueza mineral permaneça no país e fortaleça as reservas cambiais locais.
No caso de Gana, o programa de aquisição de ouro local fez com que este metal representasse um terço das reservas do banco central, servindo como exemplo inspirador para outros governos africanos.
Tais iniciativas estão transformando o ouro em uma ferramenta essencial para garantir estabilidade monetária e promover o desenvolvimento industrial. Os países pretendem reter mais valor dentro de suas fronteiras ao investir em infraestrutura e refinarias.
A diversificação das reservas internacionais com a adoção do ouro local está se expandindo por várias economias africanas. Esse movimento permite reduzir a dependência em relação às moedas estrangeiras diante da alta nos preços do metal precioso.
Essas políticas têm gerado resultados positivos, impactando tanto o emprego formal quanto a arrecadação tributária no setor mineral. Os bancos centrais estão fortalecendo sua autonomia financeira através da produção interna de ouro.
Para mais informações sobre este tema, confira na RFI/Gaël Grilhot.
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