Edir Macedo se firmou na lista de bilionários da Forbes em 2026, com uma fortuna que chega a US$ 2 bilhões, o que equivale a mais de R$ 10,4 bilhões na cotação atual. Este marco financeiro do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) ganha destaque em um momento delicado, já que o Banco Digimais, sob seu comando, é objeto de uma investigação da Polícia Federal por supostas fraudes no Sistema Financeiro Nacional.
Com essa atualização, o líder religioso ocupa a 2.052ª posição no ranking global da Forbes. O aumento em relação à avaliação anterior, que era em torno de R$ 9 bilhões, ilustra bem a magnitude de um império que vai além das fronteiras religiosas. O ecossistema em torno de Macedo envolve dízimos, concessões públicas para radiodifusão, um banco com aval estatal e um patrimônio internacional considerável, frequentemente protegido por estruturas corporativas complexas e isenções fiscais.
Investigações da PF e o Banco Digimais
A área financeira é atualmente o foco mais crítico desse império. A Polícia Federal, através da Operação Miragem, apura o Banco Digimais por suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de informações contábeis e práticas de crédito irregulares. Com base em dados do Banco Central, a Justiça Federal em São Paulo autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e ativos relacionados ao banco.
Além disso, a PF também requereu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Edir Macedo no contexto da investigação sobre o Digimais. O bispo não foi alvo direto de mandados de busca e apreensão no Brasil porque as investigações indicam que ele reside fora do país atualmente.
A ascensão do Digimais não ocorreu sem conexões com o poder público. Já foi reportado que a instituição recebeu autorização para operar sob sua nova marca durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Ademais, a administração estadual liderada por Tarcísio de Freitas (Republicanos) permitiu que o banco oferecesse empréstimos consignados aos policiais militares de São Paulo, associando esse negócio à segurança da folha salarial do Estado.
Imóvel luxuoso em Miami e venda milionária
Reprodução Divulgação Porshe Tower
A trajetória imobiliária de Edir Macedo nos Estados Unidos reflete um contraste significativo entre seu discurso sobre desapego material e suas práticas empresariais. Um exemplo notável é a unidade 4005 na Porsche Design Tower, localizada em Sunny Isles Beach, Flórida. Este edifício futurista é famoso por permitir que os moradores estacionem seus carros diretamente em suas salas. Os apartamentos ali têm preços que podem ultrapassar R$ 177 milhões.
Documentos obtidos pela Trinity Foundation mostram que o apartamento não pertence mais ao bispo. Adquirido inicialmente por US$ 9,65 milhões, foi vendido em setembro de 2025 por impressionantes US$ 13 milhões (cerca de R$ 67 milhões).
Adicionalmente, uma reportagem do The Roys Report destaca que essa transação foi realizada por meio de uma procuração assinada por Wilon Cardoso, identificado como CEO da Record Enterprise Television Inc., braço internacional da emissora.
A Trinity Foundation também localizou outro condomínio luxuoso em Sunny Isles Beach avaliado em US$ 10,7 milhões. Esta propriedade está registrada sob uma LLC sem gestores publicamente identificados no registro oficial de Miami Dade, dificultando a vinculação direta com Macedo e levantando suspeitas sobre uma estrutura complexa para proteger seu patrimônio familiar.
Mansão suntuosa e cobertura no Templo de Salomão
No Brasil, as propriedades luxuosas ligadas à liderança da Universal também são notórias. Em 2009, foi revelado que os líderes da igreja habitavam uma mansão extravagante em Campos do Jordão, São Paulo. Essa residência contava com quatro andares e 18 suítes, além de cinema e piscina coberta. A propriedade estava registrada no nome da própria igreja.
Anos depois, registros indicaram que Macedo e sua esposa mudaram-se para uma cobertura suntuosa no Templo de Salomão localizado no Brás. Esse espaço blindado possui cerca de mil metros quadrados e é descrito como abrindo mão do luxo com jardim interno e acesso controlado via biometria.
Frota aérea impressionante e imunidade tributária
A logística necessária para as viagens globais dos líderes da Universal condiz com os bilhões mencionados pela Forbes. O monitoramento patrimonial realizado pela Trinity Foundation abrange não apenas imóveis. Por meio do projeto Pastor Planes, constatou-se a existência de aeronaves privadas associadas à igreja. A frota inclui jatos executivos como um Bombardier Global Express e um Gulfstream G280 entre outros modelos renomados.
(2) pastorplanes no X: “March 20, 2026 A. Universal Church (Edir Macedo) – Gulfstream G280 from Los Angeles to Teterboro, NJ…” / X
A riqueza dessa frota torna-se ainda mais evidente quando se considera os custos envolvidos na manutenção das aeronaves internacionais. Um Bombardier Global Express pode ser encontrado entre US$ 11 milhões e US$ 15 milhões no mercado secundário; já modelos mais antigos custam pelo menos US$ 6,5 milhões.
O Dassault Falcon 2000EX tem preço médio estimado entre US$ 9,5 milhões a US$ 12 milhões. Manter um desses aviões operacionais implica custos anuais superiores a US$ 3 milhões ou cerca de R$ 15 milhões. A frota inclui também um Embraer EMB 505 conhecido como Phenom 300 avaliado até US$ 11,5 milhões.
No topo desse luxo aéreo está o Gulfstream G280 cujo preço original chegava a US$ 24,5 milhões quando novo—um valor equivalente a aproximadamente R$ 127 milhões hoje. Mesmo usados seus preços rondam os US$ 18 milhões e os custos anuais para operar um jato desse tipo superam os US$ 3,5 milhões.
Essas despesas exorbitantes contrastam fortemente com as narrativas sobre sacrifícios financeiros exigidos aos fiéis.
A frota também se beneficia de decisões judiciais favoráveis que garantem isenção tributária à instituição religiosa no Brasil. Recentemente foi reportado que a IURD obteve reconhecimento judicial para importar um helicóptero Bell 429 WLF sem pagar altas taxas alfandegárias sob justificativa do uso para deslocamentos missionários.
Estrategias legais diante das investigações
Diante das investigações iniciadas pela Operação Miragem, a comunicação oficial da Universal rapidamente tentou proteger Edir Macedo das consequências legais atribuídas ao caso. Em comunicado formalizado pela igreja foi destacado que ele não faz parte da administração direcional ou financeira do Banco Digimais transferindo assim toda responsabilidade pelos atos suspeitos aos diretores contratados.
O histórico judicial do bispo pode servir como referência para sua defesa nesta nova fase processual. Em um passado recente ele enfrentou acusações relacionadas ao desvio de verbas provenientes das doações dos fiéis para contas internacionais destinadas à expansão dos negócios midiáticos associados à sua imagem pública. Contudo uma ampla investigação sobre lavagem dinheiro foi arquivada após prescrição dos crimes sem julgamento definitivo sobre seus méritos.
No entanto agora as investigações abrangem múltiplos aspectos dentro do sistema bancário enquanto laudos forenses estão sendo analisados pela Polícia Federal junto com documentos comprometedores resgatados nas redes sociais onde aparece Macedo pressionando pastores pelas contribuições financeiras dos fiéis através da famosa frase “ou dá ou desce”.
A investigação atual é marcada pelo cruzamento rigoroso dessas evidências documentadas com operações financeiras realizadas pelo Banco Digimais podendo revelar se práticas fraudulentas sustentavam essa rede complexa—um império visível nas listagens bilionárias da Forbes até as opulentas propriedades imobiliárias e aéreas associadas à fé professada nas comunidades religiosas.