Desde fevereiro de 2026, os Estados Unidos estão em conflito com o Irã, motivados pela necessidade de conter os avanços do programa nuclear iraniano. Nesse contexto, o presidente Donald Trump está prestes a submeter ao Congresso dos EUA um acordo de colaboração nuclear com a Arábia Saudita, que poderá resultar na construção de uma instalação para enriquecimento de urânio no território saudita.
Este entendimento permitirá que empresas americanas colaborem com o programa saudita voltado para energia nuclear, conforme informações veiculadas pelo The Wall Street Journal, que citam fontes do governo dos EUA. O acordo terá uma duração prevista de 30 anos e envolverá investimentos que podem alcançar dezenas de bilhões de dólares.
Nesta quarta-feira (22), o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, junto ao príncipe Abdulaziz bin Salman, ministro da Energia da Arábia Saudita, assinará o documento antes de enviá-lo ao Congresso americano.
A proposta se baseará na Seção 123 da Lei de Energia Atômica dos EUA, que foi aprovada em 1954 e estabelece que qualquer país que deseje cooperar em projetos nucleares civis com os americanos deve formalizar um acordo legal com cláusulas específicas sobre não proliferação nuclear.
Conforme relatos da mídia internacional, o conteúdo do acordo indica que empresas dos EUA poderão construir uma planta para enriquecimento de urânio na Arábia Saudita. Este processo é vital para a produção de combustível destinado a reatores nucleares, cuja pureza varia entre 3% a 5%, além de poder ser utilizado para fabricar armas nucleares se a concentração ultrapassar 90%. Essa construção somente acontecerá se for considerada “economicamente viável” dentro de um prazo máximo de dois anos após a assinatura do acordo.
O texto estabelece um mecanismo para avaliar essa viabilidade e, caso os Estados Unidos decidam não prosseguir com o projeto, a Arábia Saudita ficará proibida de desenvolver essa capacidade por conta própria ou buscar outros parceiros internacionais durante um período mínimo de dez anos.
Trump afirmou que essa cooperação está alinhada aos objetivos globais de não proliferação nuclear. Contudo, este acordo suscita preocupações quanto à possibilidade do uso militar da tecnologia envolvida, já que as instalações empregadas no enriquecimento podem ser adaptadas para produzir material em concentrações mais altas.
A Arábia Saudita é signatária do Tratado de Não Proliferação Nuclear e mantém um acordo de salvaguardas com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) desde 2009. No entanto, o país não possui um Protocolo Adicional implementado com a AIEA, resultando em restrições sobre as informações disponíveis à agência sobre seu programa nuclear e sua capacidade investigativa em relação a atividades não declaradas.
A expansão do programa nuclear saudita teve início após um entendimento assinado com a AIEA em 2024, quando o país decidiu abandonar o Small Quantities Protocol. Esse protocolo permitia salvaguardas simplificadas para nações com quantidade mínima de material nuclear e atividades limitadas nessa área.
A decisão facilitou a implementação de um conjunto mais rigoroso de salvaguardas enquanto Riad avança em seus planos para geração elétrica a partir da energia nuclear, desenvolvimento das estruturas necessárias ao ciclo do combustível e aplicação da tecnologia nuclear em setores como pesquisa científica, medicina e indústria.
A Seção 123 da Lei de Energia Atômica prevê uma análise por parte do Congresso americano através de períodos sucessivos. O legislativo pode aprovar uma resolução contrária ao acordo; no entanto, em certas circunstâncias, revogar um veto presidencial requer uma maioria qualificada de dois terços.
A rivalidade histórica entre Arábia Saudita e Irã levanta preocupações adicionais frente a esse novo acordo. O Irã tem sido alvo das forças norte-americanas desde o início do ano devido ao seu programa nuclear civil.
Além disso, outras nações da região já investem no desenvolvimento próprio de programas nucleares civis, incluindo Turquia e Egito.
No entanto, um pacto estratégico entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita por três décadas poderia abrir portas para a exportação da tecnologia nuclear americana em um cenário geopolítico volátil. Tal aproximação serviria também como uma estratégia para conter a influência tecnológica da China e da Rússia no Oriente Médio enquanto continua pressionando o Irã e seus aliados regionais.