BTG antecipa taxa real acima de 8% e Bolsa alcançando 170 mil pontos sem uma estratégia fiscal sólida

Nesta segunda-feira (26), o BTG Pactual apresentou um estudo elaborado por cinco analistas, incluindo Carlos Sequeira, que prevê uma redução de 17% no Ibovespa, aproximando-se da marca de 170 mil pontos. Além disso, a expectativa é de que os juros reais de longo prazo ultrapassem 8% ao ano após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essas previsões foram destacadas em veículos como Exame, Brazil Journal e Money Times.

O banco observou que a taxa real de longo prazo, que atualmente está em 6,7% ao ano após uma redução de 0,81 ponto percentual nos últimos trinta dias, deverá aumentar rapidamente e se manter acima de 8% até que o governo divulgue sua política fiscal para os próximos quatro anos. Analistas afirmam que, sem uma equipe econômica considerada confiável e ações concretas para equilibrar as contas públicas, os juros longos tendem a subir significativamente.

Bolsa e câmbio

Conforme a análise do BTG, o real pode sofrer uma desvalorização entre 10% e 15% em relação ao dólar. Combinada à queda nas ações, a perda da Bolsa brasileira em dólares poderá atingir aproximadamente 30%. Ao excluir Petrobras e Vale da análise, as empresas brasileiras estão avaliadas em 10,9 vezes o lucro projetado para os próximos doze meses, conforme indicado no relatório.

Já houve um impacto inicial desse cenário. Na mesma segunda-feira, o Ibovespa caiu quase 14%, levando a B3 a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde 2020. O dólar fechou acima da marca de R$ 5,40.

Efeito sobre a Selic

O relatório sugere uma correlação entre o comportamento dos juros longos e a velocidade de cortes na taxa básica. Os analistas afirmam: “Taxas reais de longo prazo mais altas, um câmbio mais depreciado e expectativas inflacionárias desancoradas podem dificultar que o Banco Central acelere os cortes na taxa de juros de curto prazo”.

O boletim Focus projeta a Selic em 12% ao ano até o final de 2027. Para o BTG, “dependendo das diretrizes fiscais do novo governo, essa previsão pode ser vista como otimista”. Juros elevados por um período prolongado encarecem financiamentos e aumentam o custo do crédito para consumidores e da dívida pública.

Em comparação histórica, o banco destaca que a taxa real de longo prazo teve uma média de 6,7% durante o terceiro mandato de Lula e 6,9% no segundo mandato. Esses números contrastam com as médias de 5,5% e 6,5% nos dois mandatos de Dilma Rousseff.

Recomendações e histórico

Diante desse panorama desafiador, o BTG aconselha investidores a focarem em empresas exportadoras cuja receita esteja vinculada ao dólar — como Vale, Gerdau, Suzano, Embraer e WEG — além de papéis considerados defensivos como Caixa Seguridade, Porto Seguro, Ambev e Itaú.

O estudo também faz uma análise comparativa com eleições passadas. Nos doze meses seguintes à eleição de 2018, o Ibovespa registrou alta de 26,2%, acompanhada por uma queda de 2,15 pontos percentuais na taxa dos juros de dez anos. Em contraste, após as eleições de 2022, o índice apresentou uma queda de 1,8%, com perdas concentradas nos setores comercial, financeiro e da construção civil.

By Ribeirão News

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