No intervalo dos primeiros sete meses de 2026, a China alcançou um montante de US$ 216 bilhões em exportações de circuitos integrados, evidenciando um crescimento impressionante de 99,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados oficiais. Esse total já ultrapassa os US$ 201,9 bilhões exportados durante todo o ano de 2025, solidificando os chips como a principal categoria nas vendas internacionais do país.
Em julho, as vendas de semicondutores sozinhas chegaram a US$ 38,74 bilhões, marcando um aumento anual de 116,6%. Para se ter uma ideia da magnitude dessa transformação, no primeiro semestre do ano, cerca de 5,3 milhões de veículos foram vendidos para fora da China, gerando um faturamento de US$ 91,8 bilhões – menos da metade do que foi obtido com os circuitos integrados nesse mesmo período.
A produção local acompanhou esse crescimento expressivo. Entre janeiro e junho, as fábricas chinesas produziram 279,8 bilhões de circuitos integrados, o que representa um incremento de 23,1% em comparação ao ano anterior. Isso equivale a mais de 1,5 bilhão de unidades fabricadas diariamente. Em termos monetários na moeda local, as exportações desses chips tiveram um aumento de 88,7% no primeiro semestre, enquanto as exportações totais da China cresceram apenas 13,4%.
Dados fiscais recentes indicam uma aceleração impulsionada pela inteligência artificial: entre janeiro e agosto deste ano, a receita proveniente da fabricação de circuitos integrados voltados para IA cresceu 67,7%, em contraste com os 7,3% registrados na indústria chinesa como um todo. A demanda global por capacidade de processamento e memória está sendo impulsionada por centros de dados, servidores e veículos inteligentes.
A indústria adotou uma nova estratégia ao mudar seu foco da substituição de chips importados para a comercialização internacional. O vasto mercado interno permite à China aumentar sua escala produtiva, abaixar custos e investir em novas tecnologias – dinâmica que já transformou o país em uma potência mundial em baterias, painéis solares e veículos elétricos.
Desde o ano passado, os Estados Unidos implementaram um conjunto rigoroso de restrições visando evitar que a China tenha acesso à produção ou aquisição dos semicondutores mais avançados. Esses controles abrangem desde processadores utilizados em inteligência artificial até equipamentos para fabricação e transferências tecnológicas. As regras foram endurecidas progressivamente conforme as anteriores começaram a perder eficácia.
Os dados indicam que as limitações ainda permanecem firmes no segmento mais avançado da tecnologia dos chips e que esses componentes sofisticados ainda estão fora do alcance da indústria chinesa. Contudo, o volume das exportações sugere que as restrições impostas pelos EUA não foram suficientes para obstruir a formação de uma cadeia produtiva própria e robusta no setor dos semicondutores.
O verdadeiro teste dessa nova realidade será observado com os dados das exportações referentes ao segundo semestre deste ano. Isso permitirá avaliar se o ritmo quase dobrado das vendas anuais poderá ser mantido mesmo diante do fortalecimento das restrições americanas.