Uma pesquisa da AtlasIntel sobre as eleições de 2026 em Santa Catarina, divulgada recentemente, revelou que a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado não tem força suficiente para garantir uma das duas vagas em disputa. Além disso, o vereador do Rio de Janeiro enfrenta uma forte rejeição no estado e um cenário de divisão dentro do campo bolsonarista.
O levantamento foi realizado entre os dias 25 e 30 de março de 2026, com 1.280 entrevistados, margem de erro de ±3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, através de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR).
Fora da zona de eleição
No cenário considerando os votos consolidados, Carlos Bolsonaro fica em terceiro lugar, atrás de seus adversários diretos:
- Carol De Toni (PL): 30,7%
- Esperidião Amin (PP): 20,1%
- Carlos Bolsonaro (PL): 18,3%
- Décio Lima (PT): 13,4%
- Afrânio Boppré (PSOL): 9,7%
- Branco/nulo: 5%
- Não sabe: 2,8%
Mesmo que Santa Catarina eleja dois senadores, Carlos Bolsonaro não aparece entre os dois primeiros colocados, ficando fora da zona de eleição.
Primeiro voto: distância da liderança
Considerando apenas o primeiro voto, o cenário também não é favorável para Carlos Bolsonaro:
- Carol De Toni (PL): 33,6%
- Carlos Bolsonaro (PL): 19,8%
- Esperidião Amin (PP): 17,7%
- Décio Lima (PT): 15,2%
- Afrânio Boppré (PSOL): 8,3%
- Branco/nulo: 3,4%
- Não sabe: 2%
Mesmo ficando em segundo lugar nesse cenário, Carlos Bolsonaro não consegue se distanciar de Amin e permanece longe da liderança.
Segundo voto expõe fragilidade
No segundo voto, seu desempenho piora ainda mais:
- Carol De Toni (PL): 27,8%
- Esperidião Amin (PP): 22,4%
- Carlos Bolsonaro (PL): 16,9%
- Décio Lima (PT): 11,5%
- Afrânio Boppré (PSOL): 11,1%
- Branco/nulo: 6,6%
- Não sabe: 3,7%
A queda em seu desempenho no segundo voto indica uma baixa aceitação e dificuldade em ampliar seu apoio além de seu núcleo de seguidores mais fiéis.
Rejeição majoritária no estado
O dado mais preocupante para Carlos Bolsonaro é o nível de rejeição da sua eventual candidatura pelo eleitorado catarinense. De acordo com a pesquisa, metade dos entrevistados considera que sua candidatura seria vista como “um oportunismo político que vai contra os interesses do estado”, enquanto apenas 25,6% acreditam que seria a melhor alternativa e 20,6% a veem como uma estratégia “legítima, mas questionável”.
Em resumo, metade do eleitorado rejeita sua candidatura, quase o dobro dos que a apoiam.
Candidatura “de fora” impacta
A rejeição está diretamente relacionada ao fato de Carlos Bolsonaro não ter experiência política em Santa Catarina. Como vereador do Rio de Janeiro, sua possível candidatura é vista como uma tentativa de “importação eleitoral”, o que historicamente enfrenta resistência em disputas estaduais.
Isso ajuda a explicar porque, mesmo em um estado onde o bolsonarismo é forte, seu nome não consegue se estabelecer.
Além disso, essa situação destaca a divisão dentro do próprio bolsonarismo. A liderança nas pesquisas é de Carol De Toni, deputada federal com uma base sólida em Santa Catarina, que supera Carlos Bolsonaro em todos os cenários analisados.
Adicionalmente, a presença de figuras tradicionais como Esperidião Amin fragmenta ainda mais o campo da direita, tornando mais difícil a formação de uma candidatura única competitiva.