Produtora de “Dark Horse”, Karina Gama, sob investigação por quase uma década

A empresária Karina Gama, que lidera a produtora associada ao longa-metragem Dark Horse, o qual narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, já havia sido alvo de investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) antes de ampliar sua presença em contratos públicos de grande monta. Documentos obtidos revelam que as apurações sobre a gestão de recursos por instituições ligadas à empresária datam de pelo menos sete anos.

Os relatórios analisam as operações do Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina, que, segundo os auditores, apresenta indícios de irregularidades em projetos financiados com verbas geridas pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). Dentre as suspeitas estão possíveis superfaturamentos, falhas na prestação de contas e conflitos envolvendo empresas contratadas para a execução dos serviços.

A documentação indica que um dos pontos levantados pelos auditores refere-se à relação entre o instituto e as empresas terceirizadas envolvidas nos projetos financiados. Em um dos casos examinados, uma empresa escolhida para realizar serviços de infraestrutura e divulgação estava registrada no mesmo endereço do instituto, diferenciando-se apenas pelo número da sala comercial.

A proximidade física levantou questionamentos sobre a independência nas contratações, levando os auditores a sugerirem uma investigação mais aprofundada.

Crescimento durante o governo Bolsonaro

Apesar das ressalvas apontadas pelas entidades reguladoras, os empreendimentos ligados a Karina Gama experimentaram um crescimento expressivo nos anos subsequentes. Relatos indicam que essa expansão se acentuou principalmente durante o mandato de Jair Bolsonaro na Presidência da República.

Neste período, organizações e empresas conectadas a Karina passaram a participar de projetos que geravam valores muito superiores aos anteriormente registrados. Um contrato que chamou atenção foi firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet em comunidades da capital.

Esse acordo acabou sendo alvo de investigação policial diante de suspeitas de que alguns serviços prometidos não teriam sido efetivamente realizados.

Filme financiado por banqueiro amplia escrutínio

A situação se intensificou com o surgimento de informações sobre o financiamento do filme Dark Horse. Reportagens indicaram que a produção recebeu aporte financeiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Essa revelação suscitou novas indagações sobre a estrutura financeira do projeto e trouxe novamente à tona as empresas e organizações associadas à produtora responsável pelo filme.

Nos bastidores, investigadores estão avaliando se há alguma ligação entre os diversos contratos e as movimentações financeiras relacionadas às entidades geridas por Karina Gama.

Recomendações para restringir contratações

A documentação da CGU revela que as conclusões das auditorias resultaram em recomendações para fortalecer os controles internos e evitar novas contratações até que as pendências fossem esclarecidas.

Relatórios internos do Sesi também expressaram preocupação com a execução dos projetos apoiados pela entidade. Entre as ações tomadas na época estavam a suspensão de novos patrocínios semelhantes e o aumento das exigências para análise das prestações de contas.

Fontes ligadas aos órgãos reguladores afirmam que os relatórios sempre foram acessíveis ao público, permitindo que gestores interessados em firmar contratos com organizações ligadas à empresária tivessem acesso às informações antes da formalização dos acordos.

Investigações continuam

No momento, as atividades relacionadas a Karina Gama e às entidades sob sua direção estão sendo investigadas por diversos órgãos, incluindo a Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo e o Supremo Tribunal Federal.

As apurações buscam esclarecer possíveis irregularidades em contratos públicos, na execução dos projetos e nas movimentações financeiras das organizações vinculadas à empresária. Até agora, as investigações estão em andamento e não há conclusões definitivas sobre as responsabilidades dos envolvidos.

By Ribeirão News

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