Em meio à guerra no Oriente Médio, que está pressionando os preços dos combustíveis e a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (29 de abril de 2026) para sua terceira reunião do ano. Apesar da recente alta nos preços do petróleo, especialistas do mercado estão otimistas quanto a uma nova redução na taxa básica de juros.
A taxa Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano, atingiu 15%, o maior patamar dos últimos 20 anos, entre junho de 2025 e março de 2026. O anúncio da decisão sobre a Selic será feito no início da noite desta quarta-feira. Vale destacar que o Copom enfrentará um desfalque em sua composição, já que os mandatos dos diretores Renato Gomes, responsável pela Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, diretor de Política Econômica, expiraram no final de 2025. Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não enviou as indicações para seus substitutos ao Congresso Nacional.
Adicionalmente, na reunião desse mês haverá outra ausência. O Banco Central informou na terça-feira (28 de abril de 2026) que Rodrigo Teixeira, diretor de Administração, não participará em razão do falecimento de um parente próximo.
Na ata referente à reunião anterior, realizada em março, o Copom não se comprometeu a continuar com os cortes na taxa de juros. Diante das tensões no Oriente Médio, a instituição destacou que tanto a magnitude quanto o “ciclo de calibração” da Selic – se para cima ou para baixo – serão ajustados conforme novas informações surgirem ao longo do tempo.
A trajetória da inflação permanece incerta. A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu para 0,89% em abril, impulsionada principalmente pelos aumentos nos preços dos combustíveis e alimentos. Nos últimos 12 meses, o índice também teve alta e chegou a 4,37%, em comparação aos 3,9% registrados em março.
Conforme o mais recente boletim Focus, as projeções para a inflação em 2026 aumentaram para 4,86%, reflexo dos conflitos no Oriente Médio. Esse valor está acima do teto estabelecido pela meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cuja meta oficial é de 3%, podendo alcançar até 4,5% devido ao intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
A taxa básica de juros atua como referência nas negociações dos títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional dentro do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Ela é um instrumento fundamental utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Diariamente, a autoridade monetária realiza operações no mercado aberto — comprando e vendendo títulos públicos federais — com o objetivo de manter a Selic próxima ao valor definido nas reuniões.
Quando ocorre um aumento na taxa básica pela Copom, a intenção é conter uma demanda excessiva. Essa ação impacta os preços porque taxas mais elevadas encarecem o crédito e incentivam a poupança. Por outro lado, um aumento nas taxas pode limitar o crescimento econômico. Ao definir os juros cobrados aos consumidores, os bancos também levam em consideração outros fatores como risco de inadimplência e custos administrativos.
A expectativa é que uma redução na Selic torne o crédito mais acessível e estimule tanto a produção quanto o consumo, ajudando assim no controle da inflação e promovendo um ambiente econômico mais dinâmico.
As reuniões do Copom são realizadas a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro são apresentadas análises técnicas sobre as condições econômicas brasileiras e globais além das tendências do mercado financeiro. No segundo dia, os integrantes do Copom deliberam sobre as possibilidades e definem a nova taxa Selic.
Desde janeiro de 2025 está implementado um novo sistema de meta contínua onde a inflação alvo estabelecida pelo BC é fixa em 3%, com uma margem tolerável de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo; portanto, isso resulta em um limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%.
No modelo atual da meta contínua mensalmente se apura a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Em abril de 2026 serão feitas comparações entre essa inflação acumulada desde maio de 2025 com a meta estabelecida e seu intervalo tolerável. O mesmo processo será repetido em maio de 2026 considerando dados desde junho de 2025. Essa abordagem permite uma verificação mais dinâmica ao longo do tempo ao invés de restringir-se apenas ao fechamento anual até dezembro.
No último Relatório de Política Monetária divulgado pelo Banco Central no final de março foi revista para cima a previsão do IPCA para este ano: passou de 3,5% para 3,6%. Contudo esta estimativa poderá ser alterada caso as hostilidades no Oriente Médio persistam.