Glauber Braga retorna à Câmara e revela escândalo sobre Orçamento Secreto

Glauber Braga (PSOL-RJ) voltou ao plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (16) e usou o primeiro discurso após seis meses de suspensão para fazer uma nova denúncia sobre o Orçamento Secreto. O deputado afirmou que a investigada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, continuaria operando emendas parlamentares dentro da Casa.

Segundo Glauber, ele foi informado nos dias 5 de maio e 12 de junho de 2026 por um servidor da Câmara de que Fialek estaria atendendo parlamentares para operacionalizar emendas diretamente do gabinete da vice-presidência da Câmara. O deputado disse que levará o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir apuração.

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“Nos dias 5 de maio e 12 de junho de 2026 fui informado por um servidor da Câmara dos Deputados de que a investigada Mariângela Fialek continua a operar o esquema das emendas parlamentares, o chamado Orçamento Secreto. As informações são de que a servidora está atendendo parlamentares para operacionalização dessas emendas diretamente do gabinete do vice-presidente da Câmara. Supremo Tribunal Federal, e que, se o fato for confirmado, aqueles que estão descumprindo a decisão judicial sejam devidamente responsabilizados”, afirmou Glauber.

Glauber Braga mira Mariângela Fialek em retorno à Câmara

A denúncia ganha peso porque Fialek já havia sido alvo de decisão do ministro Flávio Dino, do STF, na Petição 14.949. No despacho, Dino determinou medidas de busca e apreensão, quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos e afastamento de Mariângela Fialek de qualquer atividade ou ação relacionada a emendas parlamentares até a conclusão das investigações.

Glauber já havia acionado formalmente a Câmara sobre o tema em 2021. Em requerimento apresentado à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, o deputado pediu audiência pública para discutir denúncia de destinação política de recursos por meio do chamado orçamento secreto, descrito no documento como suposto repasse de recursos a parlamentares em troca de votos via emendas extraordinárias.

A decisão afirma que as oitivas de Glauber Braga, José Rocha, Adriana Ventura, Fernando Marangoni, Dr. Francisco, Cleitinho e da servidora Elza Carneiro direcionaram as apurações a Fialek, apontada no processo como a principal responsável pela operacionalização do chamado Orçamento Secreto no âmbito da Câmara.

No mesmo documento, Dino registra que os depoimentos analisados indicam que Fialek teria atuado diretamente no encaminhamento de emendas, supostamente em nome do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). A decisão ressalva que os fatos ainda estavam em apuração.

Decisão de Dino já havia afastado Tuca das emendas

O ponto central da fala de Glauber é a suspeita de descumprimento da ordem judicial. Em dezembro de 2025, Dino determinou expressamente o afastamento de Mariângela Fialek de “qualquer atividade ou ação atinente a emendas parlamentares”.

O despacho também autorizou buscas na Câmara dos Deputados, “em toda e qualquer sala” em que Fialek exercesse funções, tivesse mesa, arquivos, armários, computadores ou materiais sob sua responsabilidade direta.

A Mesa Diretora da Câmara é composta por presidente, dois vice-presidentes e quatro secretários. No portal oficial da Casa, a 1ª Vice-Presidência aparece ocupada por Altineu Côrtes (PL-RJ), e a 2ª Vice-Presidência, por Elmar Nascimento (União-BA). A fala de Glauber não especifica qual vice-presidência estaria ligada ao atendimento mencionado.

Fórum já mostrou papel de Mariângela Fialek no caso

A Fórum já publicou que Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira, foi tratada nas investigações como peça central do esquema de emendas. Em dezembro, a reportagem mostrou que a servidora era vista como a “mulher-bomba” do Orçamento Secreto, em razão do volume de informações que poderia reunir sobre a distribuição de recursos.

Leia também: Alvo da operação da PF, ex-assessora de Lira é a mulher-bomba do Orçamento Secreto.

A Fórum também mostrou que a denúncia de Glauber foi considerada relevante por Dino para embasar a ação contra Fialek. No despacho, o ministro escreveu que o depoimento do deputado apontava para a existência de um redirecionamento forçado de emendas, determinado pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira.

Leia também: Denúncia de Glauber foi essencial para ação contra assessora de Lira, diz Dino.

Retorno de Glauber reacende disputa sobre Orçamento Secreto

Glauber retomou o mandato após a Câmara aprovar, em dezembro de 2025, a suspensão por seis meses em vez da cassação. A punição foi aprovada por 318 votos a 141, depois de articulação que substituiu a perda do mandato por uma pena alternativa.

O deputado era alvo de processo por quebra de decoro após episódio envolvendo Gabriel Costenaro, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), em abril de 2024. A decisão preservou seus direitos políticos.

Ao voltar ao plenário com uma denúncia contra a engrenagem das emendas, Glauber recoloca no centro da Câmara um tema que já levou o STF a cobrar transparência, rastreabilidade e controle sobre a destinação de recursos públicos. O próximo passo anunciado pelo deputado é pedir que o Supremo apure se houve descumprimento da decisão de Dino.

By Ribeirão News

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