BYD se responsabiliza integralmente por incidentes com sua tecnologia de pilotagem automática, enquanto Tesla se isenta de culpa

A fabricante de automóveis elétricos BYD, originária da China, comunicou que irá assumir completamente as responsabilidades financeiras em caso de acidentes envolvendo seu sistema de direção autônoma urbana denominado ‘God’s Eye’ enquanto estiver em operação no território chinês. A empresa se comprometeu a oferecer indenizações sem limites, uma prática que contrasta com a abordagem da concorrente americana Tesla, que não adotou tal política para seu sistema ‘Full Self-Driving’.

Wang Chuanfu, presidente e chairman da BYD, apresentou essa nova política em um evento focado em estratégias para veículos inteligentes realizado no dia 28 de maio. Durante o mesmo evento, foi também anunciado o desenvolvimento do primeiro chip de direção autônoma de 4 nanômetros fabricado no país.

A proposta abrange todas as perdas econômicas diretas que possam ser atribuídas ao veículo, incluindo custos com reparos, danos a propriedades de terceiros e lesões pessoais. A única exigência é que o condutor utilize a função de piloto automático urbano de acordo com as normas locais.

O executivo enfatizou que os termos são extremamente vantajosos por não limitarem os valores das indenizações. Além disso, essa política não requer a contratação de seguros adicionais e não altera o custo do seguro comercial no ano subsequente.

A cobertura é válida para os sistemas God’s Eye A e B e permanece ativa por um ano após a entrega do veículo. Proprietários atuais podem estender essa garantia ao atualizar para a versão 5.0 do software, sem restrições quanto ao primeiro comprador.

Wang Chuanfu argumentou que essa decisão reflete uma confiança total na tecnologia desenvolvida pela empresa, assumindo um risco normalmente associado aos níveis 3 e 4 de autonomia mesmo enquanto ainda opera no nível 2. Ele destacou que essa abordagem muda radicalmente o modelo tradicional de responsabilidade adotado pela indústria automotiva global.

Em julho de 2025, a BYD já havia testado um modelo semelhante com seu sistema de estacionamento inteligente nível 4, oferecendo garantias que aumentaram a taxa de uso da funcionalidade de 21% para impressionantes 93%. Agora, a companhia amplia essa estratégia para englobar situações no tráfego urbano, apresentando o que denomina ‘garantia dupla’ para seus consumidores. O contraste com a postura da Tesla é notável.

O sistema ‘Full Self-Driving (Supervised)’ da Tesla é considerado nível 2 e deixa claro em seu manual que o motorista assume toda a responsabilidade pelo veículo. Essa assimetria permite à fabricante comercializar sua tecnologia como quase autônoma enquanto transfere todo o risco financeiro ao condutor.

As implicações financeiras dessa diferença são concretas; um tribunal federal em Miami determinou que a Tesla pagasse 243 milhões de dólares por um acidente fatal. A montadora foi considerada responsável por um terço da culpa, mesmo tendo tentado evitar tal situação. Em contrapartida, a BYD adota uma postura oposta ao se responsabilizar contratualmente por essas questões.

O sistema God’s Eye B, que conta com LiDAR, está disponível como uma opção única pelo valor de 12 mil yuanes (cerca de 1.770 dólares) em toda sua linha de veículos. Em contrapartida, o pacote equivalente oferecido pela Tesla na China – denominado ‘Tesla Assisted Driving’ – custa 64 mil yuanes (aproximadamente 9.400 dólares).

Dessa maneira, a BYD proporciona cobertura ilimitada para acidentes em um sistema cujo custo é cerca de um quinto do preço cobrado pela Tesla. Enquanto isso, a fabricante americana oferece um software que mantém todo o risco financeiro sob responsabilidade do motorista.

A BYD informa ter atualmente 3,15 milhões de veículos equipados com direção assistida circulando pelas ruas, gerando até 200 milhões de quilômetros em dados diários sobre condução. A escolha da montadora chinesa em abordar diretamente o tema da responsabilidade – uma questão evitada pela indústria nos últimos dez anos – revela uma nova estratégia competitiva.

No entanto, essa iniciativa é limitada à China e se restringe ao uso ‘em conformidade’ da função urbana por apenas um ano. Uma pergunta persiste: por que uma empresa com bilhões de quilômetros acumulados com seu sistema ainda hesita em garantir financeiramente suas promessas relacionadas à segurança?

Enquanto isso, a Tesla continua adiando suas promessas e se resguardando por meio de cláusulas de arbitragem; já a BYD avança propondo uma política que visa proteger seus clientes. Essa atitude também acelera o ciclo de coleta de dados e aprimoramento tecnológico.


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By Ribeirão News

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