A implementação do transporte público gratuito, conhecido como Tarifa Zero, nas capitais e regiões metropolitanas brasileiras, pode gerar um impacto econômico anual de até R$ 60,3 bilhões, conforme revela um estudo realizado por especialistas da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O levantamento focou no transporte urbano das grandes cidades e destacou que a introdução da tarifa zero traria benefícios significativos para o orçamento das famílias. Além disso, essa medida promoveria uma reinjeção de gastos na economia, atuando ainda como um mecanismo redistributivo da renda.
Segundo os dados obtidos, os trabalhadores que utilizam transporte coletivo nas principais áreas urbanas do Brasil deixariam de desembolsar R$ 45,6 bilhões anualmente com tarifas de ônibus, metrôs e trens. Essa economia resultaria em uma maior capacidade de consumo em itens essenciais e proporcionaria uma transferência indireta de renda para as famílias com menos recursos, que são mais afetadas pelos custos do transporte em seus orçamentos.
Quando contabilizadas as gratuidades já existentes, como passe livre para idosos, estudantes e pessoas com deficiência, estima-se que o impacto total da política alcance cerca de R$ 60,3 bilhões por ano.
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A pesquisa faz parte do projeto “Tarifa Zero e suas possibilidades de expansão no Brasil”, apoiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero e pela Fundação Rosa Luxemburgo.
Os pesquisadores utilizaram dados coletados a partir da Pesquisa Nacional de Mobilidade (PEMOB 2024), além de informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e registros das operadoras de transporte coletivo urbano, incluindo ônibus e sistemas metroferroviários. O foco da análise foram as 27 capitais brasileiras e suas respectivas regiões metropolitanas, onde a demanda por transporte público é mais elevada.
Os achados indicam que os recursos economizados com tarifas poderiam ser reinvestidos na economia local por meio de gastos essenciais em supermercados, farmácias e serviços locais. Esse efeito geraria um aumento na atividade econômica nas regiões impactadas e uma arrecadação tributária indireta maior sobre o consumo.
A pesquisa também compara a política da tarifa zero a outras iniciativas sociais já implementadas, como o programa Bolsa Família. Este programa federal tem demonstrado resultados positivos no consumo familiar, gerando aproximadamente R$ 57,9 bilhões anualmente nas áreas estudadas.
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A análise incluiu ainda a isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil, que resultaria em uma economia estimada de R$ 25,4 bilhões para os trabalhadores.
Ainda que não seja uma política adotada nacionalmente, a tarifa zero já foi implementada em algumas cidades médias do Brasil. Um exemplo notável é Maricá, no Rio de Janeiro, onde a economia com passagens atingiu R$ 127,4 milhões entre janeiro e agosto de 2025. Esse valor representa quase R$ 16 milhões mensais injetados na economia ou poupados pelas famílias.
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Aproximadamente 140 municípios brasileiros já oferecem algum tipo de gratuidade nas tarifas. Além disso, cerca de 80% da população acredita que o transporte público deveria ser gratuito.
A proposta para financiar as tarifas do transporte público através da arrecadação dos contribuintes poderia gerar cerca de R$ 80 bilhões anuais para sustentar o sistema sem sobrecarregar a União.