A Globo e o Estadão, conhecidos defensores do neoliberalismo no Brasil, estão cada vez mais alinhados com a retórica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em suas críticas ao presidente Lula. Recentemente, ambos os veículos repercutiram os ataques do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) ao programa Desenrola, iniciativa do governo destinada a ajudar na renegociação de dívidas com instituições financeiras.
No vídeo divulgado nas redes sociais nesta terça-feira (5), o senador descreve o programa como uma “ficção” e afirma que “o problema é gigantesco, enquanto a solução é diminuta”. Ele atribui o elevado nível de endividamento dos brasileiros ao “crédito caro”, resultado das altas taxas de juros.
Flávio Bolsonaro declarou: “O brasileiro não precisa de maquiagem; precisa de soluções reais, menos juros, menos impostos e mais dinheiro no bolso”. Entretanto, ele não apresenta um plano claro para atingir essas metas e omite que a autonomia do Banco Central para definir a taxa básica de juros foi estabelecida durante o governo de seu pai.
Em sintonia com essas críticas, O Globo publicou um editorial nesta quarta-feira (6), onde afirma que o “Novo Desenrola é um programa eleitoreiro com efeitos prejudiciais”.
O artigo recorre a antigos argumentos neoliberais ao afirmar que “não foram implementadas medidas para controlar os gastos públicos ou aliviar a pressão que o desequilíbrio fiscal exerce sobre as taxas de juros, a principal causa da inadimplência e do aumento das dívidas”.
Segundo o editorial, “o principal fator para o endividamento da população brasileira é o desequilíbrio fiscal do Estado. Ao gastar mais do que arrecada, o governo amplia a dívida pública, pressiona a inflação e força o Banco Central a manter as taxas de juros elevadas. É exatamente o alto custo do crédito que provoca um crescimento exponencial das dívidas. Sem um equilíbrio nas contas públicas, nenhum programa como o Desenrola conseguirá alterar essa realidade”, complementa.
Por outro lado, o Estadão também se manifestou por meio de um editorial onde se refere ao programa como uma “aspirina eleitoral”, argumentando que os altos juros são consequência da “gastança” governamental.
O texto destaca: “É verdade que juros elevados penalizam os consumidores, mas o BC não é o responsável por essa situação. Não se pode manter uma taxa básica de juros baixa quando as despesas superam as receitas do governo”.
Cortes na saúde, educação e aumento salarial
Entretanto, Flávio Bolsonaro, assim como a Globo e o Estadão, não esclarecem qual seria a estratégia para “reduzir os gastos”.
Como candidato alinhado ao sistema financeiro, Flávio Bolsonaro evita abordar a questão da dívida pública, que no ano passado consumiu mais de R$ 1 trilhão em pagamentos para bancos e fundos de investimento tanto nacionais quanto internacionais.
A proposta “solucionadora” ocultada por Flávio já foi discutida pela mídia liberal – sendo recentemente exposta por Romeu Zema (Novo): desvincular os orçamentos destinados à saúde e educação para diminuir investimentos nessas áreas essenciais; eliminar aumentos reais no salário mínimo e benefícios sociais como o BPC para as populações mais vulneráveis.
Além disso, inclui-se propostas para privatizar empresas estatais como Petrobrás e Banco do Brasil, fundamentais para regular preços na iniciativa privada – tanto em relação aos combustíveis quanto às taxas de juros voltadas ao agronegócio.
A aliança entre Flávio Bolsonaro e a mídia liberal – porta-voz dos interesses financeiros – se evidencia ainda na oposição à manutenção da escala 6×1 e nas tentativas de desmantelar direitos trabalhistas sob a justificativa fictícia de que “menos direitos” gerariam mais empregos, uma abordagem sem sucesso comprovado até agora.