Ricardo Salles (Novo-SP) criticou duramente na noite dessa terça-feira (5) o apoio de Eduardo Bolsonaro a André do Prado (PL), que é o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, em sua candidatura ao Senado em 2026. Em uma postagem no X, Salles se referiu a André como “filhote do Valdemar”, insinuando que ele é um “parceiro do PT”, e questionou a decisão de Eduardo Bolsonaro por se aliar a uma composição próxima ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A crítica de Salles surge após a divulgação de um plano por Eduardo Bolsonaro que permitiria sua candidatura ao Senado sem que ele retornasse ao Brasil. Nesse arranjo, Eduardo estaria na primeira suplência da chapa apresentada por André do Prado, escolhido pelo PL para concorrer em São Paulo.
A manifestação de Salles revela uma nova divisão entre os integrantes da extrema direita paulista. O deputado do Novo busca se posicionar como uma alternativa ao bolsonarismo tradicional no estado e passou a criticar abertamente a influência de Valdemar Costa Neto na formação da chapa senatorial.
Salles critica apoio de Eduardo a André do Prado
Salles argumentou que Eduardo Bolsonaro sempre demonstrou aversão ao Centrão e que seu apoio a André do Prado vai contra essa postura histórica. Ele também destacou que figuras ligadas ao bolsonarismo paulista, como Ricardo Mello Araújo e Mário Frias, foram derrotadas nas recentes disputas internas.
“Esse apoio ao filhote do Valdemar é simplesmente vergonhoso. Eduardo sempre expressou sua aversão ao Centrão, que é uma turma corrupta por essência, fisiológica e patrimonialista”, declarou Salles.
<pNo mesmo texto, Salles acusou antigos aliados de Eduardo Bolsonaro de favorecerem um acordo pragmático com o Centrão. Ele alegou que tal arranjo desmantela o discurso defendido pela direita nos últimos anos sobre acordos partidários e negociações políticas.
Ainda em suas declarações, o deputado associou André do Prado tanto ao Centrão quanto ao PT. Para Salles, o atual presidente da Alesp “nunca foi e nunca será parte da direita”.
“Independentemente das negociações que ocorreram, o importante é que o pupilo de Valdemar está alinhado com o PT. Assim como Alcolumbre e Motta, ele foi eleito na Alesp com o apoio do PT. É Centrão na essência”, afirmou.
André do Prado avança no PL
A candidatura de André do Prado estava sendo construída internamente no PL. Em abril, foi revelado que o partido havia escolhido André como seu candidato ao Senado em SP após receber a “bênção” de Eduardo Bolsonaro. Esse movimento consolidou ainda mais o poder de Valdemar Costa Neto na formação da chapa paulista.
A disputa também afetou Mário Frias. Recentemente foi revelado que Michelle Bolsonaro vetou sua candidatura ao Senado em São Paulo, intensificando as rivalidades internas dentro do PL e fortalecendo a posição de André do Prado.
André do Prado ocupa atualmente a presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo. Conforme informações da Alesp, ele foi reeleito para presidir a Casa durante o biênio 2025-2026, tendo Maurici (PT) como primeiro vice-presidente.
Esse aspecto foi utilizado por Salles para fundamentar seu ataque. O deputado acredita que a presença do PT na eleição da Mesa Diretora da Alesp reforça a afirmação de que André do Prado está alinhado com o Centrão e não representa os princípios conservadores que Eduardo Bolsonaro diz defender.
Salles ironiza possibilidade de suplência para Eduardo Bolsonaro
A disputa verbal continuou nos comentários online. Quando Clayton Caparrós Moreno expressou considerar vergonhoso o apoio dado por Eduardo Bolsonaro mas afirmou confiar nele, Salles respondeu sarcasticamente.
“Beleza, vote no valdemarzinho então e pode acreditar no Papai Noel que ele vai renunciar para o Eduardo assumir”, respondeu Salles em sua publicação no X.
A declaração faz referência à especulação de que André do Prado poderia renunciar ao cargo caso fosse eleito, permitindo assim que Eduardo Bolsonaro ocupasse sua vaga no Senado como suplente. Salles desconsiderou essa possibilidade como uma promessa sem fundamento e usou o termo “valdemarzinho” para associar André à liderança de Valdemar Costa Neto.
Essa crítica também pressiona Eduardo Bolsonaro em um momento delicado politicamente. Foi noticiado recentemente sobre a reação de Sóstenes Cavalcante após a cassação dos mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, uma decisão que agravou ainda mais as tensões dentro do PL e acirrou as disputas por espaços na extrema direita.
Através dessa articulação envolvendo André do Prado, Eduardo busca manter sua influência nas eleições paulistas mesmo fora dos holofotes principais da disputa. Por outro lado, Salles utiliza essa situação para tentar rotular seu adversário como aliado dos interesses centristas e do Centrão.