Globo e Folha mobilizam defensores da privatização da Petrobrás para criticar ações de Lula contra o aumento do diesel

Representantes do sistema financeiro, alinhados com a defesa do neoliberalismo, como as mídias Globo e Folha, mobilizaram defensores da privatização da Petrobrás para criticar as iniciativas do governo Lula que visam auxiliar as distribuidoras e controlar a alta nos preços do diesel. Essa elevação de preços é resultado do conflito iniciado por Donald Trump, dos Estados Unidos, e Benjamin Netanyahu, de Israel, contra o Irã.

PLÍNIO TEODORO:
Da situação no Irã à “privatização” da Petrobrás: como a busca desenfreada por petróleo gera conflitos e atrai líderes políticos globalmente

A crise no estreito de Ormuz, que é responsável pelo tráfego de 20% da produção petrolífera mundial, tem exercido pressão sobre os custos dos combustíveis globalmente. Em resposta, o governo Lula implementou diversas ações com o intuito de impedir que o aumento do diesel impacte os preços nos supermercados e, consequentemente, a inflação alimentar no Brasil.

<pEntretanto, as grandes distribuidoras de combustíveis, que estão ligadas a empresas petrolíferas internacionais, têm boicotado essas ações governamentais. A Vibra Energia, que controla a BR Distribuidora e a marca de postos Petrobrás – privatizada durante a administração Jair Bolsonaro (PL) – se destaca nesse movimento ao lado das petrolíferas Ipiranga e Raízen, que opera os postos Shell no Brasil em parceria com a Cosan.

A Vibra Energia é a principal empresa no setor de distribuição de combustíveis e lubrificantes no Brasil, operando mais de 8.350 postos licenciados sob a bandeira Petrobras em todos os 26 estados e no Distrito Federal. Em março deste ano, ela foi multada por aumentar o preço do diesel em 35 vezes mais do que o aumento médio do mercado. Enquanto o preço médio passou de R$ 0,03 por litro no período analisado, os postos da Vibra elevaram o valor em R$ 1,06 por litro, sugerindo uma prática abusiva segundo a Agência Nacional do Petróleo.

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Informações da ANP indicam que a Vibra adquiriu diesel ao custo aproximado de R$ 4,81 por litro no final de fevereiro e depois passou a pagar cerca de R$ 4,84 em meados de março. Contudo, ao comercializar esse produto, os preços variaram de aproximadamente R$ 5,38 para R$ 6,45 por litro.

Globo e Folha

No dia 8 de março, a Globo apresentou em seu portal G1 uma matéria da BBC abordando “as ameaças ao plano de Lula para controlar o preço do diesel”.

Nessa reportagem é mencionado como especialista o ex-presidente da ANP David Zylbersztajn – que já fez parte do conselho da Vibra –, justamente a companhia que está na vanguarda desse boicote às políticas governamentais.

Zylbersztajn argumenta que “as distribuidoras estão relutantes em aceitar um valor fixo devido à incerteza sobre os custos das importações. Se aceitarem esse acordo com um preço pré-definido, isso se assemelha à imposição de um tabelamento. Portanto, não faz sentido assumir riscos mercadológicos com um preço fixo”, defende ele.

No entanto, é importante ressaltar que Zylbersztajn não só foi conselheiro da Vibra como também ocupou o cargo de diretor-geral da ANP e teve papel relevante na abertura do setor para a iniciativa privada durante o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), além de ter liderado vendas de estatais como a CPFL na gestão Mário Covas em São Paulo.

Após deixar sua posição na ANP após sua separação da filha de FHC, ele passou a atuar como consultor na DZ Negócios com Energia, prestando serviços justamente para empresas e fundos interessados no setor petrolífero brasileiro.

O portal Uol também entrevistou Décio Oddone, outro ex-diretor da ANP designado pelo governo Temer para liderar essa agência reguladora.

<p“Se as condições internacionais permanecerem desfavoráveis – e tudo indica que sim –, teremos dificuldades para sustentar os preços internos como estão atualmente. Chegará um ponto em que será necessário repassar as variações internacionais aos preços nacionais ou enfrentaremos escassez de combustível”, alertou Oddone.

Contudo, Uol omite que Oddone atualmente preside a Brava Energia (anteriormente conhecida como 3R Petroleum).

A Brava surgiu da antiga Ouro Preto Óleo e Gás fundada em 2010 por Rodolfo Landim (ex-presidente da BR Distribuidora) e teve um crescimento significativo após 2016 durante o governo Temer ao adquirir ativos da Petrobras.

No ano passado (2020), Landim vendeu sua participação na empresa para Starboard Restructuring Partners, uma gestora ativa no mercado financeiro global. No mesmo período, a Brava obteve 100% dos contratos relacionados aos campos Pescada, Arabaiana e Dentão vendidos pela Petrobras por US$ 1,5 milhão.

Para reforçar seu apoio à privatização na mídia liberal brasileira durante as eleições futuras, a Folha publicou um editorial afirmando que “Lula deve evitar ceder à tentação intervencionista”.

<p“O governo anunciou novos subsídios para conter os preços dos combustíveis; mas essas medidas devem ser temporárias. O desafio seria menos complicado se as finanças públicas não estivessem tão fragilizadas atualmente”, diz o jornal pertencente à família Frias insinuando que as políticas do governo também contribuem para os aumentos nos combustíveis.

A Folha reconhece que “o governo tem sido relativamente moderado em suas intervenções”, mas ressalta que isso já serve como material para ser explorado pela mídia liberal nas próximas eleições.

<p“O desafio diante do choque global na oferta seria menor se o país estivesse em uma posição financeira mais robusta; isso também complica o controle inflacionário. Sob Lula, o déficit público subiu de 4,6% do PIB em 2022 para 8% no ano passado – números superiores aos registrados nas principais economias globais. Com as eleições se aproximando é irrealista esperar um ajuste fiscal adequado. A guerra pode complicar ainda mais o legado deixado ao próximo governante”, conclui o jornal criando assim um argumento similar ao utilizado pelo golpista Michel Temer para justificar entregas relacionadas à Petrobrás.

By Ribeirão News

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