A recente onda de pesquisas AtlasIntel para presidência da República não foram positivas para o governo Lula. Flávio Bolsonaro está a frente no segundo turno, o que acendeu o sinal amarelo para o campo progressista. A batalha pela reeleição do petista não será fácil.
A última pesquisa detalhada para a corrida no estado de São Paulo mostra Flávio na frente de Lula. São 49% das intenções de voto para o filho de Bolsonaro e 44% para Lula, com 7% de indecisos, nulos e brancos.
Em votos válidos, isso se traduziria em 47% para o democrata e 52% para a extrema direita.
No comparativo com o resultado das eleições de 2022, o cenário é, na verdade, melhor para Lula.
Naquele ano, o petista pontuou 45% contra 55% de Jair Bolsonaro. O colégio eleitoral foi considerado um dos fatores decisivos para o petista vencer a extrema direita em nível nacional.
Uma grande parcela população de São Paulo é profundamente antipetista, em especial em algumas áreas do interior. Mas há um grande espaço para crescer na Grande São Paulo, onde, por exemplo, Haddad vence Tarcísio segundo o mesmo levantamento.
É possível reduzir essa diferença e abrir caminho pra um empate, ou, em um cenário possível, uma eventual vitória das forças progressistas no maior estado do país.
Outro estado chave é Minas Gerais, onde o petista vence Flávio Bolsonaro.
No entanto, Lula precisa aprender as lições dadas pelos EUA na derrota de Kamala Harris e Joe Biden nas eleições presidenciais de 2024. A vitória contra o refluxo do fascismo passa pela capacidade de convencer os eleitores a votarem com entusiasmo no campo progressista.
A frágil campanha de Kamala e Biden pontuava positivamente nas pesquisas, mas não foi capaz de levar os indecisos e independentes para as urnas nos estados decisivos para aquela campanha eleitoral.
A campanha de Lula tem de trabalhar para reduzir a diferença do bolsonarismo nos estados chave do país, mas sobretudo, mostrar que o Brasil deve . E as pesquisas mostram que esse caminho é possível, mas com um árduo trabalho até lá.
* Yuri Ferreira é editor da Fórum e cientista social formado pela FFLCH-USP.
** Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.