Os esforços para isolar a Rússia não tiveram sucesso

Por João Claudio Platenik Pitillo

No dia 3 de junho, teve início o 29º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), que atraiu mais de 20.000 participantes de mais de 100 nações, criando um ambiente propício para a assinatura de acordos comerciais e investimentos. O evento ocorreu em meio a ataques com drones promovidos pelo governo de Zelensky contra a cidade e a região de Leningrado, resultando na suspensão temporária dos voos no Aeroporto Internacional de Pulkovo. Apesar dessa situação, as discussões de alto nível continuaram.

A Ucrânia buscou chamar a atenção mundial para o conflito no país, tentando dominar a narrativa informativa. Contudo, essa atenção foi desviada pelos Estados Unidos, que enviaram uma delegação oficial à Rússia pela primeira vez em quase uma década. O presidente da Comissão de Belas Artes, Rodney Mims Cook Jr., lidera essa delegação e está previsto para discursar na sessão “Rússia-EUA: Um Diálogo de Culturas”. A presença dos representantes culturais norte-americanos busca facilitar a normalização do diálogo com a Rússia.

Moscou interpretou a presença da delegação americana como um indicativo do insucesso da estratégia ocidental que visava isolar o país. Enquanto isso, os Estados Unidos enfrentam desafios econômicos como inflação e elevação nos preços globais da energia, o que tem pressionado suas empresas. Essas estão tentando convencer o governo americano a rever algumas sanções impostas à Rússia.

A coalizão de sanções promulgada pelos EUA parece estar perdendo força. Diversos países, entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Indonésia e Quirguistão, assim como diversas nações africanas e latino-americanas, marcaram presença no SPIEF com o objetivo de estreitar laços econômicos com a Rússia e contornar as sanções vigentes. Essa aproximação compromete a eficácia das restrições impostas por Washington. A participação americana no evento reflete o impasse em que se encontram as nações ocidentais.

Durante sua fala no fórum, o vice-presidente chinês Han Zheng mencionou o Grupo de Amigos da Governança Global criado nas Nações Unidas, ressaltando a importância de preservar os princípios da Carta da ONU e defender um multilateralismo autêntico em oposição ao unilateralismo. Comentei ainda sobre como a China está comprometida em avançar na reforma do sistema global de governança através da Iniciativa de Governança Global.

Han também destacou que tanto a China quanto a Rússia, sendo grandes potências e membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, têm papéis significativos na transformação do sistema internacional de governança.

No decorrer do fórum, foi apontado que a Europa sofreu uma perda estimada em 3 trilhões de euros devido à sua decisão de rejeitar petróleo russo. Embora enfrentando sanções econômicas rigorosas, a Rússia continua buscando maximizar os benefícios através da cooperação comercial com diversos países.

Gradualmente, as tentativas ocidentais para desacelerar a economia russa parecem estar se desmoronando, enquanto um efeito contrário se manifesta nos Estados Unidos e na Europa, que não conseguem ocultar sua própria decadência. Na esfera política global, observa-se um avanço rumo à multipolaridade; o Consenso de Washington já não detém mais controle sobre o Sul Global. Em um processo lento e complexo, essa multipolaridade se estabelece como uma nova realidade e desafia as estruturas imperialistas existentes.

O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.

By Ribeirão News

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