Na recente lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, publicada pela revista americana Time, três brasileiros foram destacados. Entre eles, o ator Wagner Moura se junta a dois renomados cientistas. A seguir, conheça um pouco mais sobre esses profissionais:
Mariangela Hungria da Cunha é uma das pesquisadoras da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Reconhecida por seu trabalho inovador, ela foi laureada com o World Food Prize 2025, considerado o “Nobel” da Agricultura e Alimentação, uma das premiações mais prestigiadas no setor agrícola global.
Residente em Londrina, Paraná, há mais de três décadas, Mariangela tem se dedicado ao desenvolvimento de insumos biológicos que visam substituir fertilizantes químicos convencionais.
No âmbito da Embrapa Soja, ela lidera pesquisas focadas na fixação biológica do nitrogênio. Segundo a instituição, essa tecnologia pode proporcionar uma economia de até US$ 25 bilhões anualmente para o Brasil em gastos com fertilizantes, além de minimizar os danos ambientais.
A atuação de Mariangela envolve a seleção de microrganismos benéficos para torná-los mais eficazes. Esses organismos são aplicados em sementes ou no solo como “fertilizantes naturais”, reduzindo assim a dependência de produtos químicos.
“Aqui no interior do Paraná, sempre batalhando em um país onde o financiamento à pesquisa é instável e dedicando minha carreira aos insumos biológicos em uma época dominada por químicos”, declarou ela em entrevista ao Estadão.
A escolha por ser microbiologista foi feita por Mariangela quando tinha apenas 8 anos, optando por se afastar das áreas relacionadas à saúde. “Eu desejava atuar na agricultura ou no meio ambiente, produzir alimentos. Lembro que ficava muito triste ao ver pessoas passando fome”, recordou.
Formada em Engenharia Agronômica pela Universidade de São Paulo (USP), ela também possui mestrado e doutorado com foco na fixação biológica do nitrogênio.
A Time ressaltou que “suas inovações científicas têm sido aplicadas mundialmente, ajudando agricultores brasileiros a economizar aproximadamente US$ 25 bilhões anualmente e evitando a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono equivalente”.
Luciano Moreira
Luciano Moreira é outro brasileiro notável que consta na lista da Time devido à sua contribuição ao World Mosquito Program. Seu trabalho consiste na implementação da técnica Wolbachia para combater doenças transmitidas por mosquitos no Brasil.
A revista destacou a importância da atuação de Moreira na transição dessa técnica laboratorial para aplicações em saúde pública. Ele foi fundamental no desenvolvimento do método que cria mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, impedindo a disseminação de doenças como dengue.
O projeto começou no Brasil em 2012 e desde então passou por uma ampla expansão nacional. A publicação ainda menciona que Moreira foi responsável pela introdução do programa no país e tem liderado um crescimento gradual ao longo dos anos, produzindo evidências sobre a eficácia dessa abordagem e colaborando com comunidades para facilitar as liberações necessárias.
O resultado desse esforço culminou no lançamento da Wolbito do Brasil em 2025, reconhecida como a maior biofábrica do mundo dedicada à produção de mosquitos com Wolbachia.
Esse método visa reduzir a capacidade do Aedes aegypti de transmitir vírus, buscando minimizar as chances do mosquito contrair e repassar o vírus após picar uma pessoa infectada.
Moreira já recebeu reconhecimento em diversas publicações científicas. Em dezembro de 2025, ele figurou na lista Nature’s 10, publicada pela revista Nature, devido aos seus trabalhos relacionados ao Aedes aegypti portador da Wolbachia.