Cai a Popularidade de Flávio Bolsonaro com o Escândalo Master e Revela Vulnerabilidade nas Pesquisas eleitorais

Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, sofreu uma queda significativa nas intenções de voto para a presidência da República, conforme apontou a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10). Esta é a primeira avaliação do instituto após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de áudios em que o pré-candidato solicita ajuda financeira ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse. O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 8 de junho com 2.004 entrevistados em 120 municípios e indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui uma vantagem de 10 pontos no primeiro turno e de 6 pontos no segundo, ambos fora da margem de erro. Além disso, Flávio apresenta o maior índice de rejeição entre os pré-candidatos avaliados.

A queda nas intenções de voto: Flávio Bolsonaro em crise

No mês de abril, Flávio Bolsonaro estava à frente de Lula no segundo turno com 42% contra 40%. Contudo, em maio, após os primeiros vazamentos sobre sua conexão com o banqueiro Vorcaro, ambos estavam praticamente empatados, com 42% e 41%, respectivamente. O cenário se reverteu em junho, quando Lula alcançou 44% enquanto Flávio caiu para 38%, uma diferença de 6 pontos que excede a margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais. Essa mudança nos números é um indicativo claro da nova dinâmica eleitoral.

Em relação ao primeiro turno, a situação também é preocupante para o senador. Flávio viu suas intenções de voto reduzirem de 33% em maio para 29% em junho, resultando em uma perda de 4 pontos percentuais em apenas um mês. Lula manteve seus índices em 39%, estabelecendo assim uma vantagem de 10 pontos sobre seu concorrente. Outros candidatos aparecem bem atrás: Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) têm apenas 3% cada um; enquanto Romeu Zema (Novo) e Aécio Neves (PSDB) somam apenas 2% cada. O número de indecisos dobrou neste período, passando de 5% para 10%, sugerindo que parte do eleitorado que apoiava Flávio ainda não decidiu seu voto.

A pesquisa foi realizada pela Genial Investimentos e teve como base as respostas de 2.004 pessoas em diversas cidades entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-07661/2026. Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirmou que outras instituições como Datafolha e Nexus também perceberam a queda nas intenções de voto para Flávio durante esse mesmo intervalo, reforçando que essa tendência não é apenas um ruído estatístico.

O escândalo envolvendo Daniel Vorcaro

A pesquisa Genial/Quaest deste mês representa a primeira divulgação após a exposição dos áudios e mensagens onde Flávio Bolsonaro solicita apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o projeto Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, está preso por supostas fraudes bilionárias. O senador admitiu ter visitado o banqueiro após sua primeira prisão no final do ano passado.

Os resultados da pesquisa são claros: 65% dos brasileiros acreditam que Flávio errou ao buscar financiamento com Vorcaro, considerando que ele deveria ter evitado essa negociação. Somente 17% dos entrevistados acharam que o pedido era aceitável. Além disso, para 60%, as conversas reveladas geram suspeitas sobre o senador, enquanto 58% pensam que ele pode estar ocultando algum envolvimento ilegal relacionado ao caso do Banco Master.

Outro dado importante revela que apenas 55% dos participantes da pesquisa já conheciam as negociações entre Flávio e Vorcaro antes da coleta das informações. Isso sugere que uma parte considerável do eleitorado (44%) ainda não tinha acesso aos detalhes do escândalo durante a realização das entrevistas entre os dias mencionados. Portanto, há uma oportunidade ainda não explorada plenamente pelos adversários na campanha.

Aumento na rejeição: percepção negativa do eleitorado

A rejeição ao nome de Flávio Bolsonaro alcançou 56% entre aqueles que afirmaram conhecê-lo, apresentando um aumento de dois pontos percentuais desde maio. Este índice coloca-o como o pré-candidato mais rejeitado conforme os dados da Genial/Quaest. Em contrapartida, a rejeição ao presidente Lula se manteve estável em 53%, marcando a primeira vez na série histórica em que Flávio supera Lula nesse aspecto negativo.

Quando consultados sobre como o caso Vorcaro influencia suas intenções eleitorais, 12% dos brasileiros afirmaram que essa associação diminui suas chances de votar em Flávio para presidente. Para metade dos entrevistados (50%), as notícias sobre essa ligação não afetam sua decisão porque “já não votariam nele”. Outros 26% disseram que “continuam sem mudanças”, pois manteriam seu apoio ao candidato do PL. Esses números indicam um eleitorado já posicionado na maioria; no entanto, os votos perdidos devido ao escândalo representam uma parte significativa.

Analisando por segmento político dentro da base bolsonarista, destaca-se que 42% reconhecem que Flávio errou ao solicitar dinheiro a Vorcaro, enquanto 33% afirmaram que as conversas levantaram indícios suspeitos. Embora uma maioria (72%) confie no senador quanto à sua inocência legal no caso Master, é preocupante notar que quase metade dessa base admite erros éticos relacionados ao pedido feito ao banqueiro.

Cenário político: ‘Tariflávio’ e batalhas narrativas

A pesquisa foi realizada num momento marcado por pressões significativas sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. Além das gravações com Vorcaro, os dados capturaram também reações à viagem do senador aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump e à subsequente implementação da taxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros — rapidamente chamada nas redes sociais como “Tariflávio”. O governo Lula foi ágil em vincular esses eventos à imagem do senador.

Cerca de 47% dos entrevistados concordam com a versão apresentada por Lula sobre a atuação direta de Flávio junto a Trump relativa às tarifas impostas ao Brasil; somente 35% aceitam o argumento do senador segundo o qual ele teria solicitado ao republicano evitar novas restrições comerciais.

Diante da questão sobre qual explicação parece mais plausível quanto à introdução das tarifas adicionais, 46% dos participantes escolheram a narrativa atribuída a Lula — indicando retaliação às inovações brasileiras no sistema financeiro — enquanto apenas 36% respaldaram a versão defendida por Flávio relacionada às críticas feitas pelo presidente brasileiro aos Estados Unidos. Essa disputa por narrativas acerca da soberania nacional reflete-se também na percepção sobre quem melhor defende os interesses brasileiros: **47%** citam Lula contra **37%** que mencionam Flávio Bolsonaro. Ademais, **39%** dos entrevistados afirmaram estar mais inclinados a votar em Lula devido à questão tarifária; apenas **30%** disseram ter sido influenciados positivamente por Flávio nesse contexto.

Efeitos eleitorais e vulnerabilidade na base bolsonarista

A combinação entre queda nas intenções eleitorais, aumento na rejeição e reconhecimento generalizado do erro ético apresenta um cenário desafiador para a campanha de Flávio Bolsonaro. Os dados coletados pela Quaest demonstram claramente que escândalos relacionados à conduta pessoal têm repercussões mensuráveis nas eleições — mesmo dentro do próprio grupo bolsonarista. A ideia disseminada anteriormente sobre imunidade do bolsonarismo frente denúncias encontra limites concretos nos números atuais.

Um alerta relevante para o PL surge da análise do comportamento entre eleitores direitistas não vinculados diretamente ao bolsonarismo: segundo Felipe Nunes da Quaest esse grupo demonstrou “menor propensão” em apoiar Flávio no primeiro turno — com **11%** manifestando intenção favorável a Renan Santos; **10%** optariam por Lula; enquanto **6%** escolheriam Caiado. A fragmentação desse eleitorado pode ser decisiva numa disputa acirrada no primeiro turno; além disso, perceberem o erro cometido por Flávio junto a Vorcaro representa um consenso abrangente — mesmo entre independentes (67%) e **53%** dos direitistas não bolsonaristas — revelando uma crítica compartilhada além das fronteiras ideológicas tradicionais.

No campo governamental, os dados mostram estabilidade e recuperação favorável à administração Lula: sua aprovação atingiu **47%**, enquanto desaprovação caiu para **48%**, configurando o menor intervalo desde dezembro passado. Essa melhora ocorre mesmo após “quatro eventos significativos” no cenário político atual — indicando resiliência por parte do eleitorado petista diante das adversidades enfrentadas recentemente. Com quase metade (44%) dos eleitores ainda desconhecendo as conversas entre Flávio e Vorcaro quando realizada esta pesquisa, há espaço considerável para ampliar os impactos negativos desse escândalo nos meses próximos às eleições previstas para ocorrerem em 2026.

By Ribeirão News

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