Excesso de gado e preços altos: o paradoxo da carne no Brasil

Se o Brasil reduzir suas exportações de carne para a União Europeia, enquanto a China mantém suas compras, haverá uma maior disponibilidade do produto no mercado interno, resultando em uma pressão para a queda dos preços. No entanto, essa situação não deve se concretizar.

As previsões de que os preços da carne bovina possam diminuir no Brasil devido às restrições impostas pela União Europeia e à desaceleração das importações chinesas não se confirmarão. A expectativa é que os valores ao consumidor continuem altos nos próximos meses.

Isso se deve à ausência de um comprometimento significativo da indústria frigorífica com o mercado doméstico. Historicamente, quando ocorre uma diminuição na demanda externa, as empresas do setor tendem a reduzir tanto o ritmo de abates quanto a aquisição de gado, evitando a formação de excedentes que poderiam resultar em uma queda nos preços. Assim, a oferta no mercado nacional permanece “equilibrada”.

Em termos práticos, as indústrias farão o possível para assegurar que os custos da carne permaneçam elevados no Brasil, sem qualquer interesse em praticar preços menores.

Enquanto isso, esforços serão direcionados para explorar novas oportunidades que possam manter as vendas internacionais em andamento através da abertura de novos mercados.

<pAlguns especialistas apontam que a quantidade de gado disponível para abate está em declínio, o que dificulta uma redução significativa nos preços da carne. Isso ocorre em um país com um rebanho total estimado em cerca de 238 milhões de cabeças, o que significa que há mais bois do que habitantes no Brasil.

No ano passado, foram abatidas aproximadamente 42,94 milhões de bovinos, consolidando mais uma vez a posição do país como líder na exportação de carne.

A realidade é que, com as transações internacionais sendo realizadas em dólar, as exportações continuam atraentes para o setor produtivo, mesmo diante da diminuição da demanda por parte de alguns compradores. Portanto, não há motivação para uma queda significativa nos preços no mercado interno.

Dessa forma, as “dificuldades” enfrentadas nas exportações não serão suficientes para provocar uma redução relevante nos preços da carne bovina nos supermercados e açougues brasileiros.

E quanto ao consumidor brasileiro?

By Ribeirão News

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