A Petrobras anunciou um aumento de 13,9% no preço médio do querosene de aviação (QAV) comercializado para as distribuidoras, que passa a valer a partir desta terça-feira, 1º de setembro de 2026. Esse reajuste implica um acréscimo médio de R$ 0,68 por litro. O impacto dessa alta chega à malha aérea do Brasil em meio à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, e deverá pressionar os valores das passagens aéreas, já que o combustível representa aproximadamente 30% dos custos operacionais das companhias aéreas, conforme informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Embora esse aumento não se reflita imediatamente em cada passagem adquirida nesta data, pois os preços variam conforme a demanda, concorrência e ocupação dos voos, ele encarece o principal insumo das empresas aéreas. Isso afeta diretamente aqueles que precisam viajar a trabalho, estudar fora de casa ou visitar familiares.
Reajuste nas refinarias
Com a atualização nos preços, o QAV nas refinarias da Petrobras agora oscila entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro. A maior alta registrada em relação ao mês anterior foi em São Luís, com um aumento de 14,34%, enquanto Canoas, no Rio Grande do Sul, apresentou o menor ajuste com um incremento de 13,51%.
Desde o início de 2026, o QAV fornecido pela estatal já sofreu uma elevação acumulada de 53,3%, correspondendo a R$ 1,94 a mais por litro em comparação ao valor praticado em dezembro de 2025. Essa escalada representa um retorno à pressão sobre os custos enfrentados pelo setor aéreo brasileiro, que pode ser repassada aos consumidores através do aumento nas tarifas ou cortes em promoções e voos.
A guerra impacta as tarifas
Segundo a Petrobras, o aumento é resultado da elevação nos preços internacionais do combustível para aviação devido às tensões no Oriente Médio. A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026 desestabilizou rotas marítimas e expectativas na cadeia global do petróleo.
Um fator crítico é o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima ao sul do Irã por onde transitava cerca de um quinto do petróleo transportado via mar antes da crise. Quando essa rota enfrenta riscos militares, os preços dos barris sobem devido ao receio de interrupções no fornecimento e derivados como o querosene de aviação passam a refletir esse temor.
Apesar do Brasil ter capacidade significativa para produzir e refinar petróleo, o preço do QAV ainda é influenciado pelas cotações internacionais. Assim, as instabilidades externas acabam impactando diretamente os custos das companhias nacionais.
Mecanismos não protegem o consumidor
A Petrobras declarou que utiliza uma fórmula paramétrica contratual para precificar o QAV que atua como um “amortecedor” temporário contra oscilações rápidas no mercado. Embora essa abordagem minimize flutuações diárias nos preços, ela não conseguiu evitar que os aumentos externos afetassem os valores mensais no Brasil.
Na prática, essa fórmula protege apenas as empresas contra variações imediatas e não oferece proteção ao consumidor final diante dos efeitos econômicos causados por conflitos militares que encarecem energia e transporte. O passageiro acaba sendo impactado sem qualquer mecanismo que ofereça proteção contra essas situações geopolíticas.
Parcelamento alivia fluxo financeiro
A estatal anunciou que reintroduziu em setembro seu programa de parcelamento dos reajustes. Essa iniciativa permite que as distribuidoras dividam o aumento em até três parcelas mensais, diminuindo assim o impacto imediato sobre suas finanças relacionadas à compra do combustível.
No entanto, essa medida não elimina o aumento total; apenas dilui sua repercussão financeira ao longo do tempo. Em abril de 2026, diante de um reajuste contratual significativo de 54,8%, a Petrobras havia adotado uma estratégia semelhante para mitigar impactos imediatos sobre as distribuidoras voltadas à aviação comercial. A retomada desse programa em setembro indica que as pressões internacionais se tornaram uma parte rotineira da gestão financeira do setor.
Distribuidoras enfrentam desafios
A Petrobras fornece às distribuidoras tanto QAV produzido em suas refinarias quanto importado. Após a aquisição, essas empresas são responsáveis pelo transporte do combustível até as companhias aéreas e outros usuários finais nos aeroportos.
Cerca de 85% da produção nacional de QAV é controlada pela estatal; mesmo com um mercado formalmente aberto à competição com outros produtores e importadores. Essa realidade posiciona a Petrobras como um elemento central na formação dos preços mesmo quando as causas das oscilações estão além das fronteiras brasileiras.
O próximo desafio será observado nas tarifas e na disponibilidade de voos pelas companhias aéreas nas semanas seguintes. Seguindo as normas contratuais mensais vigentes, uma nova revisão nos preços está programada para ocorrer em 1º de outubro de 2026.